Liberais de Taubaté
O Diário - 27 de janeiro de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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Assim como a falácia de Maria Verônica Aparecida César Santos, popularmente conhecida nos idos anos de 2010 como a “Grávida de Taubaté”, assim são os “Liberais de Taubaté” que sussurram – sempre que possível – aos pés dos ouvidos dos agentes políticos por benesses pessoais, corporativas ou para seus grupos de interesses.
Os “Liberais de Taubaté” são aqueles que defendem a liberdade econômica, pero no mucho ou com certa seletividade. É fato que a Constituição de 1988 escolheu a liberdade econômica por meio da livre iniciativa, mas também é letra que acolheu os valores sociais e os ditames da justiça social.
Em ano eleitoral, os “liberais de Taubaté” ressurgem com tudo incluindo o hipócrita discurso de que o Estado tem que ser mínimo, mas negociando as benesses, os projetos de lei que favoreçam seus interesses e isenções fiscais e/ou tributárias, além de pedidos de votos para seus representantes de seus setores no Congresso Nacional. Sindicatos patronais e de empregados, policiais e militares, empresários, proprietários de grupos de comunicação, ruralistas, banqueiros ou bancados por bancos, financiados pelo crime organizado estão entre os principais membros do parlamento federal, sem contar os Estaduais e do Distrito Federal.
Agora, (re)pensar o Estado brasileiro para a redução das desigualdades é um desafio que nenhum grupo está disposto. Dados do IBGE de 2025 dão conta de que a desigualdade de renda atingiu o menor nível da história em 2024, mas, ainda assim, 1% da população mais rica do país tinha rendimento médio 30,5 vezes superior à metade da população mais pobre.
Uma reforma política robusta e alinhada com as contemporaneidades sociais e tecnológicas se faz imprescindível para que o país entre na pauta social, por se Estado em desenvolvimento. O país precisa produzir intelectualidades para serviços e simplificar iniciativas que tornem ameno o setor produtivo, tornando-se competitivo. Basta de ideologia, é imperioso “servir o pragmatismo político” como prato principal do debate e eleger parlamentares comprometidos com a reforma política, com a adequação do Estado às necessidades do país, com a inovação a serviço da redução de desigualdades.
Danilo Nunes é advogado e professor.
Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC



