“Pequenas tentações”
O Diário - 27 de janeiro de 2026
KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani
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“Pequenas tentações: cidades, arquitetura e outros passeios” é o título do livro de Eduardo Andrade de Carvalho, recém-lançado na capital paulista. Neto de Chiquito Costa, tão caro à história de Barretos, e filho da barretense Ligia Andrade, Eduardo brinda o leitor com temas interessantes que envolvem as cidades em diversas camadas. Seja o leitor morador de uma cidade interiorana, de uma capital ou de outro país, o livro tem valiosa reflexão a oferecer a respeito da construção e da fluidez das cidades, dos edifícios, dos bairros e, principalmente, da nossa relação, no cotidiano, para com elas.
O livro é organizado em três partes: Cidades, Arquitetura e Outros Passeios e conta com artigos e ensaios críticos publicados pelo autor em revistas e jornais entre 2011 e 2024. Interessante notar que o autor, tão sensível à arquitetura e ao uso dos espaços públicos e privados, é um empresário do mercado imobiliário. Fato que causa surpresa e, ao mesmo tempo, conforto em saber que existe olhar humano e sugestões interessantes sobre como se pode construir uma relação digna entre o homem e o ambiente urbano. Detalhe: para todos. O foco é sempre o grande alcance, o público.
Particularmente, a leitura da obra chamou a minha atenção para dois elementos que – confesso – não tenho dado a devida notabilidade até hoje: a calçada e os muros. O autor lança luz à questão de como a construção de grandes condomínios privados, bairros e espaços fechados por imponentes muros tem produzido apenas imensas avenidas (tapetes de asfalto) e calçadas inseguras, cujo foco de circulação é apenas veículos. Assim, cada vez mais perde-se o principal espaço de interação entre as pessoas, as casas, os comércios e os serviços: a calçada. Isto é, o tráfego do meio de transporte mais ambientalmente correto: a pé. Afinal, é nas calçadas que os pequenos prazeres da vida – ou tentações, se assim preferirem – são desfrutados: a conversa, a observação, a circulação, a escolha e a liberdade. É onde nos tornamos, de fato, público.
Barretos precisa conhecer essa obra e fazer dela uma diretriz presente, afinal é agora que precisamos falar sobre muros, calçadas, edifícios, córregos, patrimônios e estacionamentos. Ler Eduardo é um caminho para outros passeios à nossa Barretos.
KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani



