Quando o calendário vira adversário
O Diário - 29 de janeiro de 2026
Luis Otavio Martins é jornalista
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O futebol brasileiro entra em 2026 tropeçando no próprio calendário. A paralisação para a Copa do Mundo, necessária, virou mais um fator de bagunça.
Clubes são obrigados a dividir elencos, priorizar jogos e assumir riscos. Atletas sofrem com sobrecarga física e mental em meio a datas mal encaixadas.
Treinadores mal conseguem planejar treinos ou ciclos de recuperação adequados. Preparadores físicos trabalham no limite, tentando evitar lesões previsíveis.
Há partidas oficiais do Brasileiro, do Paulista e decisões nacionais simultâneas.
A final da Supercopa do Rei, em Brasília, no dia 1º de fevereiro, é exemplo claro.
Flamengo (campeão brasileiro) e Corinthians (vencedor da Copa do Brasil) decidem um título enquanto outros torneios já correm.
Para o torcedor, entender esse emaranhado virou um exercício de paciência. Muitos já não sabem qual competição estão assistindo em determinado jogo. Datas, horários e prioridades mudam sem que haja lógica aparente. O futebol perde narrativa, sequência e, muitas vezes, qualidade técnica.
Um calendário confuso afasta o público e desvaloriza os próprios campeonatos. Planejamento deveria ser palavra-chave, não exceção em anos de Copa.
Luis Otavio Martins é jornalista




