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A Resposta do Homem a Deus

Diocese de Barretos - 5 de fevereiro de 2026

A Resposta do Homem a Deus

A Resposta do Homem a Deus

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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.

Após apresentar a capacidade natural do homem para Deus e a iniciativa divina na Revelação, o Catecismo da Igreja Católica dedica seu Capítulo Terceiro à resposta humana a esse dom: a fé. A Revelação não é um evento unilateral; ela exige uma adesão livre e consciente. Deus fala, chama e se comunica, mas respeita a liberdade do homem. A fé é, portanto, o encontro entre a Palavra de Deus e o “sim” do coração humano. O Catecismo define a fé como: “A resposta do homem a Deus que se revela e se entrega a ele” (CIC, 142). Crer não é apenas aceitar verdades, mas confiar em Deus. A fé envolve a inteligência, a vontade e o coração. É uma entrega pessoal ao Deus vivo. Essa resposta é possível porque Deus concede a graça: ninguém pode crer por suas próprias forças. A fé é dom, mas também decisão. A Escritura chama a fé de “obediência”: “Pela fé, o homem submete totalmente sua inteligência e sua vontade a Deus” (CIC, 143). Obedecer não significa submissão cega, mas confiança amorosa. O fiel reconhece Deus como verdade absoluta e bem supremo. Essa obediência liberta, pois orienta a vida para o sentido último. Abraão é apresentado como o modelo dessa obediência: ele confia em Deus mesmo sem compreender totalmente o caminho. Maria, por sua vez, é o exemplo perfeito do “sim” humano ao plano divino. A fé cristã é pessoal, mas nunca individualista. O Catecismo ensina: “Eu creio” exprime a fé da Igreja professada pessoalmente por cada fiel (CIC, 167). Crer em Deus implica acolher a fé da Igreja, transmitida pelos apóstolos. A Igreja é a comunidade dos crentes e o espaço onde a fé nasce, cresce e é sustentada. A profissão de fé, os sacramentos e a catequese mantêm viva essa comunhão. A fé não se opõe à razão. Pelo contrário: “Embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver contradição entre fé e razão” (CIC, 159). Deus é a fonte tanto da luz da razão quanto da luz da fé. A razão prepara o caminho para a fé, e a fé ilumina a razão. Juntas, conduzem à verdade. Essa harmonia protege o cristianismo do fanatismo e do racionalismo fechado à transcendência. A fé não é um ato isolado, mas um caminho permanente. Ela cresce, amadurece e enfrenta provações. O Catecismo recorda que a fé deve ser alimentada: pela Palavra de Deus; pela oração; pelos sacramentos; pelo testemunho cristão. O Capítulo Terceiro do Catecismo revela que a fé é a resposta livre, consciente e amorosa do homem ao Deus que se revela. Essa resposta envolve confiança, obediência, comunhão e testemunho. Crer não é fugir da realidade, mas interpretá-la à luz de Deus. A fé não empobrece a liberdade humana; ela a eleva. Em um mundo marcado por incertezas, a fé continua sendo o caminho que conduz à verdade, à esperança e à vida plena.