Ser “sal” e “luz”
Diocese de Barretos - 8 de fevereiro de 2026
Ser “sal” e “luz”
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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
Jesus continua dirigindo-se aos discípulos, sobre a montanha, como dizíamos na semana passada ao referir-nos às bem-aventuranças. Encontramo-nos diante do sermão da montanha (Mt 5-7), no qual Jesus apresenta através de preceitos e imagens em que consiste o seu discipulado. Logo a seguir as bem-aventuranças, Jesus serve-se de duas imagens, como ouviremos no texto evangélico deste final de semana (Mt 5, 13-17) para dizer da responsabilidade que cabe aos que querem segui-lo. Jesus diz que eles deverão ser como o sal e a luz. Duas imagens tiradas do dia a dia de uma família. Dois elementos que se distinguem pela sua simplicidade. Ambos precisam ser utilizados na medida certa, porque se exageramos ou diminuímos a quantidade colocamos em risco o sabor e a claridade na nossa vida. Dois elementos que agem sempre modestamente. Tem que ser utilizados na medida certa e quando acontece de chamar a atenção para si é porque não estão cumprindo bem a sua missão. Imaginem uma lâmpada que pisca: ao chamar a atenção para si demonstra que precisa ser trocada; ou então, um pão que se exagera na quantidade de sal, não serve para nada senão para ser jogado no lixo. Jesus diz que nós precisamos ser “sal” e “luz” no mundo. Ele não pensou num grupo fechado ou alheio ao mundo onde vive. Não! Jesus quer que os seus discípulos tenham consciência de que o mundo é onde eles deverão estar presentes e irradiar a sua fé. Para que serve o sal? O sal já no tempo era utilizado para conservar os alimentos, para preveni-los da corrupção; mas também para dar sabor. Essa a missão de todo que quer colocar-se no seguimento de Jesus: preservar da corrupção, pela fidelidade na missão, pela coerência nas atitudes e, pela bondade para com os outros. Assim conseguimos conservar o bem que está presente no mundo e dar sabor à nossa vida e a vida dos que estão conosco. Jesus diz ainda: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (v.16). Não se trata de transformar-nos em vitrines iluminadas, mas lâmpadas acesas que na escuridão da noite indicam o caminho, iluminam as ruas e os cômodos das nossas casas. E, tudo isso mais do que com as palavras, sobretudo com nossas obras. Mateus é o evangelista que continuamente fala da importância de que nossa fé não se limite a boas intenções, ou bonitos discursos, mas se traduza em obras que falam por si mesmas. Inspirando-nos em Jesus aprendemos a agir como Ele agiu, a viver como Ele viveu. Ele vai dizer que Jesus neste discurso diz que as árvores se conhecem pelos seus frutos; e, que não basta dizer “Senhor, Senhor! ” Se não fazemos a vontade do Pai. Iluminados pela palavra de Jesus, tornemo-nos nós também luz no mundo, irradiando a luz de Cristo pelas nossas palavras e obras sempre de acordo com o Evangelho de Jesus!



