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O amor é radical

Diocese de Barretos - 15 de fevereiro de 2026

O amor é radical

O amor é radical

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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

Dando sequência ao seu discurso sobre a montanhas, Jesus faz uma advertência aos seus discípulos: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 20). Muitos parecem querer desculpar suas falhas apelando para a misericórdia de Jesus, como se ele fosse um Mestre que não se importasse com os erros dos seus discípulos. No trecho do evangelho deste domingo (Mt 5, 17-37), Jesus disse que não veio para abolir a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento (v. 17). Disse também que se alguém desobedecer a um só destes mandamentos por menos que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado o menor no Reino dos Céus (v. 19). E depois a título de exemplo, Jesus refere-se a três mandamentos: matar, cometer adultério, e jurar em falso. Se lemos com atenção as palavras de Jesus damos conta de que as exigências dele vão muito além do que previa a Lei e a Tradição dos judeus. Jesus diz que todo aquele que odeia e insulta seu próximo acaba tornando-se réu por homicídio; todo aquele que olha para uma mulher só com o desejo de possuí-la já cometeu adultério no seu coração; e que não se deve jurar de modo algum porque quando se jura, se atenta contra o poder de Deus. A religião de Jesus não é uma religião light como muitos querem transformá-la; que promete muito, mas exige pouco. Não! A religião de Jesus é exigente porque o amor é radical. Não é possível amar pela metade. Quando se ama de verdade não se contenta com pouco; ao contrário, o amor exige tudo e, para sempre. Nós podemos crer que Jesus veio dar plenitude e valor a tudo. Inclusive ao aparentemente menor; os preceitos menos importantes. Jesus não vem como um policial, mas como aquele que nos ajudará a descobrir que tudo, tudo, na lei e nos profetas é valioso, iluminador e energizante. Jesus ensina como fazer plenamente a vontade de Deus e usa para isto a palavra “justiça”; mas se trata de uma justiça animada pelo amor, pela caridade, pela misericórdia e, portanto, capaz de realizar a substância dos mandamentos sem cair no formalismo. Hoje vivemos num tempo marcado pelo relativismo moral. As pessoas acabam tornando-se os seus próprios gostos o critério do bem e do mal. Ao mesmo tempo, a vida parece reduzir-se ao mínimo esforço e, ao menor compromisso. Jesus não deixa dúvidas, se queremos entrar no Reino dos Céus temos que aprender a levar a sério nossos compromissos, dizendo-nos que é preciso cumprir a vontade do Pai em todos os seus detalhes, não cedendo a rigidez daquele que se acha no direito de julgar os outros, nem na morbidez dos que adaptam as exigências à sua boa vontade, sem medir as consequências!