O milagre da partilha (texto III)
Diocese de Barretos - 18 de fevereiro de 2026
O milagre da partilha (texto III)
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A Eucaristia na Missa
Por Pe. Flávio Aparecido Pereira, Vigário Paroquial Catedral Barretos
Quantos de nós, ao redor da mesa redemos graças pelos dons que o Senhor nos concede e mais, quem abençoa os alimentos que são ‘graças divinas’ em suas mesas? Cristo assim o fez quando pegou os pães e os peixes. Render graças é o mesmo que voltar o olhar para o alto em um gesto de reconhecimento pelo que temos em nossas mesas. O Sacerdote, quando recebe as oferendas (pão e vinho) no altar, faz as seguintes orações: PARA O PÃO – ‘Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo, pelo PÃO que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano que agora Vos apresentamos e que, para nós, se vai tornar Pão da Vida’; PARA O VINHO – ‘Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo VINHO que recebemos da Vossa bondade, fruto da videira e do trabalho humano, que agora Vos apresentamos e que, para nós, se vai tornar Vinho da Salvação. Se essas orações, chamadas de ‘orações secretas’ forem feitas em viva voz, para ambas deveremos responder: ‘BENDITO SEJA DEUS PARA SEMPRE!’. (Antes de falar a fórmula para o vinho, o sacerdote ou diácono coloca uma gota d’água no vinho e profere a seguinte oração: ‘Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade de Vosso Filho, que se dignou assumir nossa humanidade’. Após essa oração, o sacerdote profere a oração de apresentação do vinho e, em continuidade, ele, ainda em voz baixa, diz: De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vós; e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus. Terminada essa, ele purifica suas mãos entregando seus pecados a Deus, dizendo ‘lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me dos meus pecados’, a fim de que todos possam participar, dignamente e purificados, do banquete nupcial do cordeiro.) Na última ceia do Senhor, vemos que Jesus toma o pão em suas mãos - e sobre este podemos dizer que ele é um alimento universal – e rende graças antes de distribui-lo entre os seus. Voltando um pouco no contexto bíblico, de modo geral, vemos que o pão alimentou o profeta Elias em sua viagem; durante longos anos, alimentou o povo no deserto (ázimos, maná), que estava em marcha, rumo à Terra Prometida. O próprio Jesus se apresenta como o Pão da Vida, aquele que nos alimenta, e o faz pois somos um povo peregrino, que caminha rumo ao céu, o qual se constitui nossa Terra Prometida. Eucaristia significa também partilha. Não há partilha se fecharmos nosso coração para os dons que o Senhor nos concede. Os sinais são visíveis e sensíveis, e quando nos fechamos, o diálogo que deveria existir vira um monólogo, a conversa que deveria ser sadia se torna uma discussão, e um pedido se converte em uma ordem. Com tudo isso, a nossa relação com todos vai se ‘desfacelando’ aos poucos.



