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90 anos da Estrela do Oriente: uma nova história

O Diário - 17 de fevereiro de 2026

90 anos da Estrela do Oriente: uma nova história

KARLA ARMANI, historiadora e titular da cadeira 7 da ABC / @profkarlaarmani 

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Hoje é terça-feira de carnaval, dia ideal para relembrarmos os 90 anos da Sociedade Beneficente e Recreativa Estrela do Oriente. Fundada em janeiro de 1936, a Estrela do Oriente atravessou o tempo e ainda resiste brilhando. De toda a sua trajetória, iniciada com o bloco Carvão Nacional, nesse marco de 90 anos chama atenção a maneira como sua história é contada. Naturalmente, o ano de 2026 evoca o de 1936, e essa origem é revisitada sob uma visão atual. Diga-se de passagem: ainda mais multicolorida e espaçosamente social. Vejamos.

Em 1954, quando Barretos comemorava seu primeiro centenário, o “Álbum do 1º Centenário da Fundação de Barretos” foi produzido para eternizar a história da cidade e as instituições da época. A Estrela do Oriente, portanto, ganhou uma página onde foram estampadas as fotos de seu fundador, sr. Lázaro Silva, e do presidente. Ali, sua história foi registrada com a data de seus estatutos e os nomes das sucessivas diretorias. Constava como seu objeto o oferecimento de divertimento, recreação, auxílio e a promoção de movimentos cívicos e culturais aos seus associados. A contribuição aos festejos carnavalescos, citando o Carvão Nacional, também foi digna de nota. E ponto.

Voltando-se para janeiro de 2026, o principal entusiasta da casa, o jornalista Coriolano Neves, publicou texto que revisita esse passado e o resultado foi diferente do registro de 1954. No retrato atual, a história remonta ao esforço da comunidade negra em, para além do carnaval de rua, conquistar um espaço de união para promover seus festejos, recorrer a auxílio mútuo e produzir sua cultura de forma livre e ampla. Isso porque pessoas negras não eram bem aceitas em outros clubes da cidade, como o tradicional Grêmio da década de 1930 (embora o samba ali já tivesse chegado – assunto do meu livro De onde cantam as cigarras). A origem da Estrela do Oriente, portanto, é recontada a partir do prisma do enfrentamento do racismo e do preconceito na intenção de se conquistar o espaço próprio de representatividade. Na nova história, a palavra é “pertencimento”. 

Viva os 90 anos da Estrela do Oriente, viva a releitura da história!