Constituição dogmática Dei Verbum – Jesus Cristo, revelador do Pai
Diocese de Barretos - 28 de fevereiro de 2026
Constituição dogmática Dei Verbum – Jesus Cristo, revelador do Pai
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Por Pe. Matheus Flávio, Vigário Catedral, Barretos-SP.
Continuando a leitura das catequeses do Papa Leão sobre o Concílio Vaticano II, nessa terceira catequese ele segue tratando sobre a Dei Verbum. A Constituição dogmática Dei Verbum aprofunda a compreensão cristã da Revelação ao afirmar que ela encontra o seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Depois de reconhecer que Deus se comunica num diálogo de amizade, o Concílio proclama que esta Revelação não é apenas uma transmissão de verdades, mas um encontro histórico e pessoal, no qual o próprio Deus se oferece à humanidade. Por isso, declara com clareza: “A verdade profunda, tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos por esta revelação em Cristo, que é simultaneamente o mediador e a plenitude de toda a revelação” (DV, 2). Jesus Cristo revela o Pai não apenas por meio de palavras, mas introduzindo-nos na própria relação filial que vive com Ele. No Filho enviado pelo Pai, “os homens têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da natureza divina” (DV 2). Assim, o conhecimento de Deus assume uma dimensão profundamente relacional: conhecer Deus significa entrar na comunhão do Filho com o Pai, pela ação do Espírito Santo. O Evangelho testemunha esta revelação quando Jesus, “cheio de alegria sob a ação do Espírito Santo”, louva o Pai e afirma: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10,21-22). Em Cristo, somos conhecidos por Deus e, ao mesmo tempo, aprendemos a conhecê-Lo como Pai. Como recorda São Paulo, “Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá! Pai!” (Gl 4,6). A Dei Verbum insiste ainda que Jesus Cristo revela o Pai com a própria humanidade. Sendo o Verbo feito carne, Ele manifesta Deus através de sua vida concreta, de seus gestos, palavras, sinais e milagres. Por isso, afirma o Concílio: “Quem vê Jesus vê o Pai” (Jo 14,9), e esta revelação é completada “sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição e com o envio do Espírito de verdade” (DV 4). Não é possível conhecer plenamente Deus sem acolher a humanidade verdadeira e integral de Jesus. A Revelação não se dá fora da história nem acima da condição humana, mas dentro dela. O Senhor que salva é aquele que nasceu, caminhou, curou, ensinou, sofreu, morreu e ressuscitou. Seguir Jesus até o fim conduz o cristão à confiança total no amor do Pai. Como proclama São Paulo, “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31). Em Cristo, revelador do Pai, o crente encontra a certeza de que nada pode separá-lo do amor de Deus e aprende a abandonar-se filialmente Àquele que é Pai, Filho e Espírito Santo.



