A transfiguração
Diocese de Barretos - 1 de março de 2026
A transfiguração
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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
Os discípulos de Jesus estavam atordoados com os anúncios que Jesus lhes fizera do destino que o espera. Jesus falou-lhes da sua morte iminente, provocada pelas autoridades religiosas do seu povo, da morte de cruz que lhe reservavam, e depois de lhes falar disso lhes dizia que haveria de ressuscitar ao terceiro dia. Encabulava os discípulos não só o fato de Jesus dizer que seria tratado como um malfeitor, mas que “haveria de ressuscitar ao terceiro dia”. O que significavam estas palavras? Eles podiam imaginar que haveria uma ressurreição no último dia, mas três dias depois da morte era algo inédito que eles ouviam. Era comum Jesus se ausentar para dedicar-se à oração sobre alguma montanha próxima de onde eles estavam. Mas, desta vez ele leva consigo três deles: Pedro, Tiago e João. Jesus demonstra uma certa simpatia por eles, algumas vezes ele os levará consigo, como foi o caso da ressurreição da filha de Jairo (cf. Mc 5, 35-43). Serão eles também que acompanharão Jesus na noite da sua Paixão, ao Horto das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-37). Aqueles, porém, que haveriam de acompanhar Jesus na hora mais amarga da sua vida, quando o veem chorar e apelar a Deus para que lhe poupasse o cálice que haveria de beber, serão os que serão pegos de surpresa ao ver Jesus se transfigurar diante dos seus olhos (Mt 17, 1-9). O evangelista diz que “o seu rosto brilho como o sol e as suas vestes ficaram brancas como a luz” (v. 17,2). E, como isso não bastasse viram junto de Jesus, Moisés e Elias que representavam a Lei e os Profetas; e ouviram uma voz do meio da nuvem que declarava: “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o” (v. 17, 5). A transfiguração de Jesus é para eles uma amostra da ressurreição. Aquilo que lhes custava compreender, Jesus permite que eles vejam com os seus próprios olhos, a fim de prepara-los para os dias difíceis que deverão enfrentar, durante a Paixão do Mestre. São Pedro na sua Carta dirá: “De fato, ensinamos a vocês sobre o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, não tiramos isso de fábulas artificiais. Nós ensinamos porque fomos testemunhas oculares da grandeza deles. Pois ele recebe honra e glória de Deus Pai, quando uma voz vinda da sua Majestade lhe disse; ‘Este é o meu Filho amado, no qual encontro o meu agrado’. Essa voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo” (1Pd, 1, 16-18). A Transfiguração de Jesus é um convite que Ele nos faz para reconhecer que a verdadeira glória não se revela com o poder e a fama, mas com a entrega de si, o serviço generoso, e o amor gratuito aos irmãos e irmãs. Ela nos recorda que a verdadeira glória se dá com a Cruz! Foi necessário que Jesus, o Filho do Homem, sofresse a sua paixão para entrar na sua glória (cf. Lc 24,26). Pela Cruz à Luz é um ditado antigo que se repete neste dia. Percorrendo o caminho que Jesus percorreu entramos na luz de Deus que brilhou sobre a alta montanha onde Jesus se transfigurou aos olhos dos discípulos.



