A IA nos dá tempo! E a gente gasta onde?
O Diário - 28 de fevereiro de 2026
Márcio Alex dos Santos - CTO e Founder - Nexar Systems
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Em 1865, um economista inglês chamado William Stanley Jevons percebeu algo curioso na Revolução Industrial: as máquinas ficaram mais eficientes no uso do carvão… e o consumo de carvão aumentou. Era para economizar. Mas o mundo só acelerou.
Nasceu ali o Paradoxo de Jevons: quando algo fica mais eficiente, a gente usa mais — não menos. Agora corta para 2026. A tecnologia prometeu devolver nosso tempo. Planilha que fecha sozinha. IA que escreve e resume. Mensagem em áudio acelerada. Aplicativo que resolve em minutos o que antes tomava a tarde inteira.
Era para sobrar tempo. Tempo para montar a cavalo sem pressa. Para prosear na calçada.
Para ver o pôr do sol descendo vermelho atrás da porteira, daquele jeito que parece que Deus passou pincel largo no céu.
Mas o que fizemos? Economizamos duas horas. Preenchemos com três tarefas.
Ganhamos produtividade. Perdemos silêncio. A eficiência abriu espaço. A ansiedade ocupou.
Respondemos mensagem andando, comendo, esperando o elevador. Se desse, respondíamos dormindo — com atualização automática de sonho. É o Paradoxo de Jevons aplicado à alma.
Quanto mais rápido fazemos, mais rápido prometemos. Quanto mais ferramentas temos, mais nos cobramos. E o tempo que “sobraria” vira só combustível para mais corrida.
No interior a gente aprende cedo: cavalo bom não é o que dispara e cansa na primeira ladeira. É o que sustenta o trote na estrada inteira. Tecnologia é bênção. Mas bênção sem freio vira laço apertado.
Talvez a pergunta não seja “quanto tempo a IA vai nos dar?”,mas “o que vamos ter coragem de não preencher?” Porque pôr do sol não aceita notificação.
E cavalo nenhum entende modo turbo. Quer saber mais? Procure por: Paradoxo de Jevons.



