Política não é negócio de família
O Diário - 3 de março de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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O Estado brasileiro tem uma família em cada pedaço de chão que “pensa que acha ou que acha que pensa” que os Governos lhes pertence. Não, não pertence. Com a Moralidade Administrativa incorporada à CF/88 e novos paradigmas legislativos e jurisprudenciais aplicáveis às relações público-privadas, a passos lentos, não cabem mais que famílias inteiras se instalem em cargos e tratem a coisa pública como particular.
A família Bolsonaro pretende se instalar de mala e cuia no poder – se eleitos – a partir de 2027. As questões que se colocam são: combinaram entre si? Não. Combinaram com os eleitores? Menos ainda.
A primeira questão é entender que nem tudo são flores quando se mistura vida familiar com política. Michele Bolsonaro, pré-candidata à senadora, postou story “fritando bananas” para levar ao marido encarcerado na Papudinha. Nem precisa ser muito inteligente e falar inglês de “chapeiro” para ver que ela cutucava Eduardo Bolsonaro, apelidado de “bananinha”. A fritura se dá em família e ela não foi a campo e nem vestiu a camisa do outro filho, Flávio, na pré-campanha nacional. Odor de azedo. Além da esposa e do filho 02, o filho 03 deve disputar uma das vagas do Senado por Santa Catarina e o 04 de deputado federal pelo mesmo Estado.
Na outra família, o filho de Lula, Lulinha, será o “calcanhar de Aquiles” do pai no calvário eleitoral. Sim, calvário, já que com um filho na mira da PF e de CPMI, o sono do presidente candidato à reeleição, não deve estar dos melhores.
Daí fica claro que a ideologia não serve para nada mesmo e que, enquanto metade do país se engalfinha com a outra metade, famílias inteiras nadam no dinheiro dos pagadores de impostos e, de duas, uma: ou sob o manto de liberais, vivem à custa do erário pelos últimos quase 40 anos como a Família Bolsonaro; ou, vivem dos recursos do fundo partidário como os Lula da Silva.
A “cara de pau durice” é que dizem que vão mudar o país de dentro do “sistema” que atacam quando estão fora do poder, mas nunca deixam o Estado e o erário em paz. O jazigo moral agradece!



