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Da roça ao balcão da sorveteria, a história de Francisco Tomiatti

O Diário - 8 de março de 2026

Da roça ao balcão da sorveteria, a história de Francisco Tomiatti

TOMIATTI: O sorvete que virou tradição famíliar em Barretos

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Entre máquinas antigas e incertezas, surge uma trajetória de empreendedorismo em família

Aos 86 anos, Francisco Tomiatti segue trabalhando na Sorveteria Popular, negócio iniciado em 1972 ao lado da esposa Leonisia e que se tornou ponto tradicional da cidade

Para Francisco Tomiatti, a família é o maior bem que alguém pode possuir. Aos 86 anos, ele continua trabalhando diariamente na Sorveteria Popular, empresa construída com esforço, persistência e união familiar.

Conhecido carinhosamente como Seu Chico, ele recebe os clientes sempre com um sorriso tranquilo, refletido em seus olhos azuis. Descendente de italianos, herdou o espírito de quem não desiste facilmente. “Não consigo ficar parado”, costuma dizer. Nascido em uma fazenda no município de Itápolis, Seu Chico cresceu no trabalho da roça. Filho de Fortunato Tomiatti e Margarida Sala Tomiatti, teve uma infância simples, marcada pelo trabalho cedo e pela convivência familiar.

Hoje é esposo apaixonado de Leonisia, com quem está casado há 66 anos. Juntos construíram uma história de vida e trabalho ao lado dos filhos Euclésio Tomiatti e José Márcio Tomiatti, que também participam do negócio da família.

A sorveteria foi inaugurada em 18 de setembro de 1972 e já soma mais de cinco décadas de funcionamento, tornando-se um local conhecido por moradores e visitantes que passam por Barretos.

Mas o começo não foi fácil. Ao deixar a vida na roça para empreender na cidade, a família encontrou uma sorveteria com máquinas antigas, pouca estrutura e muita incerteza. Mesmo assim, persistiram. 

É essa história de vida que a empresária, escritora e acadêmica Rosa Carneiro compartilha com os leitores, através de entrevista que realizou especialmente para O Diário. 

Por ROSA CARNEIRO especial para O DIÁRIO

A felicidade como estado de espírito de sorveteiro

ROSA: Qual foi o maior incentivo para o senhor abrir sua própria empresa?

CHICO: O maior incentivo foi aquela companheira que eu tenho lá em casa, minha esposa. Aquela mulher vale tudo!

ROSA: Antes de trabalhar na sorveteria, onde o senhor trabalhava?

CHICO: Nós trabalhávamos na roça e pensávamos em ir para a cidade, mas não sabíamos fazer nada. Uma irmã da Leonisia comentou que o cunhado dela em Barretos estava vendendo uma sorveteria. Vim conhecer, não gostei no começo, estava muito bagunçada. Voltei para casa desanimado. Meu sogro insistiu que o ponto era bom. Voltei novamente e acabamos fechando o negócio. Viemos para Barretos eu, minha esposa e meus dois filhos pequenos. Foi muito difícil no começo: máquinas velhas, pouca experiência e muita insegurança.

ROSA: O senhor era colono da fazenda ou tinha sítio?

CHICO: Meu pai era colono. Depois que ele faleceu, fiquei ajudando a cuidar da família com minhas irmãs e meu irmão mais novo. Mais tarde me casei e fui trabalhar em um sítio pequeno, cuidando de tudo. Minha esposa sempre esteve ao meu lado trabalhando comigo.

ROSA: O que o senhor plantava no sítio?

CHICO: Plantava café, milho, feijão, pomar e horta. Depois o patrão colocou gado, fazíamos queijo e criávamos galinha. Era uma vida simples, mas com muita fartura.

ROSA: O senhor pensou em desistir quando as dificuldades começaram?

CHICO: Sim. Pensei como dar futuro para minha família. Mas sou teimoso, sempre quis vencer. Minha esposa também tem esse espírito. Hoje temos 86 e 81 anos e continuamos trabalhando juntos com a família.

ROSA: Por que o senhor acredita que a sorveteria continua se destacando?

CHICO: Acho que conseguimos vencer graças a Deus. Temos um produto que as pessoas gostam e conquistamos credibilidade com trabalho.

ROSA:  Existe algum sabor diferenciado criado por vocês?

CHICO: A base da nossa produção veio de Itápolis, que hoje é conhecida como Capital Nacional do Sorvete. É de lá que buscamos sabores diferenciados.

ROSA: O senhor acredita que a sorveteria traz algum benefício para a comunidade?

CHICO: Acho que sim. As pessoas nos conhecem e quando vêm de cidades como São Paulo, Brasília ou Goiânia passam aqui para tomar sorvete. Muitos clientes viram amigos. Quem entra quer sossego, conversar e aproveitar um bom produto.

ROSA: O senhor tem planos para o futuro?

CHICO: Meu futuro é ajudar meus filhos e netos. Quero vê-los mais tranquilos.

ROSA: Qual conselho o senhor daria para quem quer abrir uma empresa?

CHICO: Tem que ter garra e coragem. Não pode desanimar. Tem que ter objetivo e focar nele. Eu sempre pensei na minha família para seguir em frente.

ROSA: Qual seria uma frase que represente sua trajetória?

CHICO: Sempre fui uma pessoa feliz, graças a Deus. Meu casamento, meus filhos e meus netos são uma benção. O que mais preciso desejar?