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Deixar-se Encontrar por Cristo: A Fé que Nasce do Encontro

Diocese de Barretos - 11 de março de 2026

Deixar-se Encontrar por Cristo: A Fé que Nasce do Encontro

Deixar-se Encontrar por Cristo: A Fé que Nasce do Encontro

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP

Caro leitor, a Fé cristã não nasce apenas de ideias ou ensinamentos, mas de um encontro vivo com Jesus Cristo. No caminho espiritual da Igreja, especialmente ao refletirmos sobre o Ano da Fé, somos convidados a redescobrir essa dimensão essencial: a fé nasce quando nos deixamos encontrar pelo Senhor. O Evangelho da Samaritana, narrado em João 4,5-42, revela de maneira profunda essa experiência transformadora. Jesus chega ao poço de Jacó, cansado da viagem, e ali encontra uma mulher Samaritana. À primeira vista, trata-se de um encontro simples e cotidiano: alguém pede água. No entanto, o diálogo que se desenvolve revela algo muito maior. Jesus não apenas fala com aquela mulher; Ele entra na história dela, toca suas feridas e abre diante dela um horizonte novo de vida. Esse episódio mostra que a fé muitas vezes começa quando Deus nos encontra em meio às nossas realidades mais simples. A Samaritana não estava procurando uma experiência religiosa extraordinária; estava apenas realizando uma tarefa diária. No entanto, naquele momento comum, Jesus se aproxima e inicia um diálogo que transforma sua vida. Um dos aspectos mais marcantes desse encontro é que Jesus conhece profundamente o coração daquela mulher. Ele revela sua história, suas fragilidades e suas buscas. Contudo, não o faz para condená-la, mas para conduzi-la à verdade e à liberdade. A Fé nasce justamente nesse momento em que a pessoa percebe que é conhecida e amada por Deus. No contexto do Ano da Fé, essa passagem do Evangelho nos recorda que acreditar não significa apenas aceitar verdades doutrinais, mas permitir que Cristo entre em nossa história pessoal. Muitas vezes, como a Samaritana, carregamos vazios, dúvidas e feridas. Buscamos “água” em muitas fontes que não saciam plenamente. Jesus, porém, oferece algo diferente: a “água viva”, que se torna fonte de vida eterna. Outro elemento importante desse relato é o processo gradual de descoberta que a mulher vive. No início, ela vê em Jesus apenas um judeu; depois o reconhece como profeta; por fim, começa a perceber nele o Messias esperado. Esse caminho revela que a Fé cresce progressivamente, à medida que nos abrimos ao encontro com Cristo. Ao experimentar essa transformação interior, a samaritana não guarda a experiência apenas para si. Ela deixa o cântaro, símbolo de sua antiga busca, e corre à cidade para anunciar o que aconteceu. Torna-se, assim, missionária. A fé autêntica não permanece fechada no coração; ela se transforma em testemunho. Também hoje, muitos homens e mulheres vivem sedentos de sentido, esperança e verdade. O Evangelho da samaritana nos lembra que Cristo continua passando pelos “poços” da nossa vida: nas rotinas, nos encontros inesperados, nas perguntas profundas do coração humano. Ele continua oferecendo a água viva da sua graça. Viver o Ano da Fé significa justamente redescobrir essa experiência fundamental: permitir que Jesus nos encontre, fale ao nosso coração e transforme nossa história. A fé não é apenas algo que aprendemos; é alguém que encontramos. Assim como aconteceu com a mulher Samaritana, quando nos deixamos encontrar por Cristo, nossa vida se renova, nosso coração se abre e nos tornamos testemunhas da alegria de ter encontrado o Senhor.