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Antítese

O Diário - 11 de março de 2026

Antítese

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

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Figura semântica

Entre muitas estratégias da língua escrita, poucas são tão imediatamente reconhecíveis quanto a aproximação de ideias opostas para produzir sentido. A antítese, figura de linguagem baseada na diferença entre significados, explora justamente essa convivência de termos contrários dentro do mesmo enunciado, recurso frequente tanto na literatura quanto na escrita jornalística. Dois aspectos ajudam a compreendê-la: a oposição direta e a função expressiva.

A antítese organiza o enunciado a partir da contraposição de ideias semanticamente opostas. Expressões como “vida e morte” ou “alegria e tristeza” ilustram esse mecanismo de contraste. Ao aproximar polos semânticos divergentes, o enunciador evidencia diferenças que poderiam permanecer implícitas. Esse procedimento torna o raciocínio mais claro e contribui para a precisão argumentativa, pois a contraposição reforça a percepção dos limites entre conceitos.

Outro ponto relevante reside na força expressiva que a antítese imprime ao discurso. Construções como “noite e dia” ou “amor e ódio” demonstram como a língua utiliza a oposição para intensificar a mensagem e ampliar o impacto do enunciado. Ao colocar sentidos contrários lado a lado, o texto ganha dinamismo e densidade interpretativa. Assim, ao destacar os extremos de forma clara e expressiva, a antítese ilumina com maior nitidez o significado central do que se lê ou ouve. 

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie