Constituição dogmática Dei Verbum – A Palavra de Deus na vida da Igreja
Diocese de Barretos - 21 de março de 2026
Constituição dogmática Dei Verbum – A Palavra de Deus na vida da Igreja
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Por Pe. Matheus Flávio, Vigário Catedral, Barretos-SP.
Concluindo a reflexão sobre a Constituição dogmática Dei Verbum, o Papa Leão destaca nessa catequese, que esse importante documento, ensina que existe um vínculo profundo e vital entre a Palavra de Deus e a Igreja. A Sagrada Escritura não é um livro isolado, mas nasce no seio do povo de Deus e é confiada a esse mesmo povo. A Igreja é, por assim dizer, o “habitat” da Palavra, pois é nela que a Escritura encontra o espaço para revelar plenamente o seu significado e manifestar a sua força transformadora. O Concílio afirma com clareza: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras, como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo” (DV 21). Palavra e Eucaristia formam, portanto, uma única mesa da qual o povo cristão se alimenta. Além disso, a Igreja “sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé” (DV 21). Após o Concílio, a reflexão sobre a centralidade da Palavra continuou. A Assembleia do Sínodo dos Bispos de 2008 e a Exortação Verbum Domini, de Bento XVI, recordaram que “a autêntica hermenêutica da Bíblia só pode ser feita na fé eclesial" (Verbum Domini, 29). O lugar originário da interpretação da Escritura é a vida da Igreja, iluminada pelo “sim” de Maria. Assim, ler a Bíblia não é um ato puramente intelectual, mas um gesto de fé, realizado na comunhão e sob a guia do Espírito Santo. São Jerônimo deixou-nos uma advertência decisiva: “A ignorância da Escritura é ignorância de Cristo”. A finalidade última da leitura bíblica é conhecer Cristo e, por meio d’Ele, entrar em diálogo com Deus. A própria Dei Verbum apresenta a Revelação como diálogo, no qual Deus fala aos homens como amigos (DV 2). Quando lemos a Escritura em atitude de oração, este diálogo torna-se experiência viva. A Palavra de Deus sustenta e fortalece a comunidade cristã. Todos os fiéis são chamados a alimentar-se dela, especialmente na celebração da Eucaristia e dos sacramentos. De modo particular, bispos, presbíteros, diáconos e catequistas devem cultivar amor e familiaridade com a Escritura, pois dela nasce e se nutre o ministério da Palavra. Também a teologia encontra na Sagrada Escritura o seu fundamento e a sua alma. Num mundo repleto de palavras muitas vezes vazias, a Palavra de Deus permanece sempre nova e inesgotável. Ela responde à nossa sede de sentido e revela o mistério de Deus manifestado em Jesus Cristo. Vivendo na Igreja, descobrimos que toda a Escritura converge para Ele, o Verbo feito carne. Por isso, abramos o coração para acolher este dom precioso e deixemo-nos formar pela Palavra viva que conduz à comunhão com Deus e à missão no mundo.



