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A guerra no Irã

O Diário - 14 de março de 2026

A guerra no Irã

DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

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Na madrugada de sábado, dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques militares de grande escala em território iraniano que atingiram, inicialmente, a capital Teerã, e as cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Em um preciso ataque de decapitação - espécie de ataque que visa eliminar rapidamente os líderes do inimigo, de modo a desorganizá-lo e enfraquecer sua capacidade de reagir - as forças militares israelenses e norte-americanas mataram o líder supremo Ali Khamenei, bem como as principais lideranças militares e de inteligência do país. 

Donald Trump, talvez imbuído pelo relativo sucesso do ataque às instalações nucleares iranianas em junho de 2025, e pela bem-sucedida abdução do ditador Nicolás Maduro no início desse ano, parecia acreditar que a nova aventura militar no Oriente Médio também seria rápida e fácil. 

Nesse cenário, sob o argumento inicial de destruir definitivamente o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã, e, posteriormente, admitir a intenção de derrubar o regime teocrático dos aiatolás, o presidente norte-americano embarcou em uma guerra que poderia fazer sentido para Israel, mas não para os Estados Unidos.

Até agora, entrando na segunda semana da guerra, o Irã tem demonstrado uma surpreendente resiliência frente às poderosas forças militares norte-americanas e israelenses, indicando, inclusive uma disposição de prolongar a guerra - contando com a pressão inflacionária no mundo causada pelo fechamento do Estreito de Hormuz - o que parece ter surpreendido os Estados Unidos.

Uma guerra prolongada com o Irã - que seria muito mais custosa do que foi a guerra no Afeganistão e no Iraque no início deste século - não é do interesse de Donald Trump, que agora deve buscar uma saída honrosa para a sua reprovável aventura militar, que lhe permita “declarar vitória”, como costuma fazer. 

Em um mundo cada vez mais instável, aventuras militares improvisadas costumam ter um preço alto - e raramente são pagas apenas por quem as inicia.