Ser feliz: decisão pessoal
O Diário - 18 de março de 2026
Rosa Carneiro é empresária, escritora e integrante da Academia Barretense de Cultura
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Uma senhora de 92 anos, delicada, bem-vestida, com o cabelo bem penteado, um semblante calmo, precisou se mudar para uma casa de repouso. Seu marido havia falecido recentemente e a mudança se fez necessária, pois ela era deficiente visual e não havia quem pudesse ampará-la em seu lar. Uma neta dedicada a acompanhou Após algum tempo aguardando pacientemente na sala de espera, a enfermeira veio avisá-las que o quarto estava pronto. Enquanto caminhavam, lentamente, até o elevador, a neta, que já havia vistoriado os aposentos, fez-lhe uma descrição visual de seu pequeno quarto, incluindo as flores na cortina da janela.
A senhora sorriu docemente e disse com entusiasmo:
- Eu adorei! Vou ser muito feliz neste quarto!
- Adorou? Mas a senhora nem viu o quarto! - Observou a neta.
Ela não a deixou continuar e acrescentou:
- A felicidade é algo que você decide antes da hora. Se eu vou gostar do meu quarto ou não, não depende de como os móveis estão arranjados, e sim de como eu os arranjo em minha mente. E eu já me decidi gostar deles e continuou - é uma decisão que tomo a cada manhã quando acordo. Eu tenho uma escolha: posso passar o dia na cama remoendo as dificuldades que tenho com as partes de meu corpo que não funcionam há muito tempo, ou posso sair da cama e ser grata por mais esse dia, com as partes que funcionam.Cada dia é um presente, e meus olhos se abrem para o novo dia das memórias felizes que armazenei, durante toda minha vida. A velhice é como uma conta no banco, minha filha, de onde você só retira o que colocou antes. Se você colocou alegria, retirará alegria, se colocou sorrisos, retirará sorrisos, se colocou otimismo retirará otimismo, se colocou esperança retirará esperança e tudo isto junto constitui a felicidade.
A lição de uma pessoa idosa e sem a visão dos olhos físicos é de grande profundidade e contém ensinamentos valiosos, e o primeiro deles é que a felicidade é uma decisão pessoal. Depende mais da nossa disposição mental do que das circunstâncias que nos rodeiam.
Cada pessoa tem, na intimidade, o potencial de armazenar as belezas que deseja ver em sua tela mental, ainda que ao seu redor a paisagem seja deprimente.
Pense nisso! Não deixe que sua conta bancária de felicidade fique negativa, deposite nela cada dia um pouquinho de alegria, entusiasmo, paciência , otimismo e no futuro você terá de onde tirar felicidade.



