Trens
O Diário - 22 de março de 2026
Rogério Ferreira da Silva é cirurgião-dentista
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Você já ouviu que, ao perceber que entrou no trem errado, deve descer na primeira estação. Mas quando você perde o trem? A sensação é imediata: frustração, ansiedade. A mente começa a criar cenários de atraso, prejuízo, fracasso. Nosso cérebro odeia a perda e tenta nos convencer de que aquilo define o nosso destino. Mas talvez não defina. Nem a porta fechada é rejeição. Às vezes é redirecionamento. Só que o coração, quando está ferido, interpreta como abandono. A gente revive a cena, repete na cabeça, teria culpas que nem são nossas. Carrega um peso que não precisava existir. E quanto mais alimenta essa história, mas ela parece verdade. Quantas vezes algo não deu certo e você decidiu transformar isso em identidade? Como se um erro tivesse o poder de resumir quem você é. Mas existe uma diferença silenciosa entre responsabilidade e culpa. Você não responde pelas escolhas dos outros. E sobre as suas, mesmo as mal planejadas, elas trazem consequências sim, mas também trazem aprendizados. Crescimento nasce quando você filtra o que aconteceu e escolhe o que fazer com isso. Você não é responsável por salvar o mundo. Nem por controlar todos os trilhos da vida. O que você pode fazer é continuar inteiro. Porque virão outros trens. Outras portas. Outras oportunidades que talvez só façam sentido porque aquela anterior não abriu. Às vezes o que parece atraso é proteção. Às vezes o que parece perda é preparação. Talvez nesse texto não estejamos falando de trens. Talvez estejamos falando de escolhas, de relações, de caminhos que não eram pra você. Portas poder abrir de novo, e quando abrirem, que você esteja leve o suficiente para entrar no trem certo, viajar em paz e reconhecer que tudo, até o que doeu, estava te conduzindo para um lugar melhor. Um ótimo domingo para você!



