Esqueci minha senha
Pandemia

O Diário - 27 de março de 2026

Pandemia

Rogério Ferreira da Silva é cirurgião-dentista 

Compartilhar


Essa semana, há seis anos, a gente começava a entender que o mundo não era tão sólido quanto parecia, não era imune, não era intocável. Pandemia. O planeta parou. Muitos e muitos se foram. Muitos ficaram com marcas. E teve muita gente perdeu pessoas sem ter sequer o direito de se despedir. Quando eu olho para aquele tempo, penso que a gente sobreviveu. E sobreviver, naquele contexto, já foi muita coisa. Mas, no fundo, também fica uma sensação de que não foi dessa vez que a gente saiu melhor como coletivo. Aquela tal empatia que muitos falavam, onde foi parar? A dor foi compartilhada, mas a transformação não foi. Porque melhorar não é automático, não é contagioso, não é coletivo. Melhorar é uma decisão intima, pessoal e intransferível. Teve gente que mudou, é verdade. Que passou a olhar a vida com mais cuidado, que entendeu o valor do tempo, das pessoas, dos encontros. Mas teve muita gente que voltou para o mesmo lugar de antes, para os mesmos comportamentos, para as mesmas pressas vazias. E, infelizmente, teve gente que até piorou. O mundo não melhora sozinho, como bem sabem vocês meus caros leitores. O mundo melhora quando a gente decide melhorar por dentro. A gente precisa de coragem para entender que não adianta atravessar uma tempestade e continuar vivendo como se nunca tivesse chovido. Seis anos depois, diante das notícias, das guerras, do que é feito e dito por gente próxima da gente, fica claro que aquela ideia de que sairíamos melhores da pandemia era uma ideia esperançosa, mas equivocada. Eu caí nessa pegadinha, confesso. Mas eu entendi a lição: só com disposição para melhorar a si mesmo a gente consegue melhorar o mundo ao nosso redor. Pelo menos esse. E lembre-se sempre o que vou repetir aqui: Melhorar é uma decisão intima, pessoal e intransferível.