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A Vigília Pascal

Diocese de Barretos - 4 de abril de 2026

A Vigília Pascal

A Vigília Pascal

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Por Pe. Matheus Flávio, Vigário Catedral, Barretos-SP.

Hoje é um dia de espera para toda a Igreja, pois vivemos o silêncio para à noite celebrar a Vigília Pascal. O Papa Bento XVI na homilia para o Sábado Santo de 2012 apresenta a Páscoa como o início de uma realidade absolutamente nova: “A Páscoa é a festa da nova criação. Jesus ressuscitou e nunca mais morre”. Não se trata apenas de um evento histórico, mas de uma transformação radical do próprio ser humano, pois Cristo “assumiu o homem no próprio Deus”, abrindo-nos o acesso a uma vida que já não está sujeita à morte. O Papa destaca que a liturgia pascal começa com a narração da criação para mostrar que há uma continuidade e, ao mesmo tempo, uma superação: a antiga criação prepara a nova. Por isso, a primeira palavra de Deus – “Faça-se a luz!” – torna-se chave de leitura para toda a história da salvação. A luz, explica ele, “torna possível a vida; torna possível o encontro; torna possível a comunicação; torna possível o conhecimento”. Mais ainda, ela é sinal do bem, pois “o mal esconde-se”, enquanto a luz revela e cria liberdade. Assim, o mundo criado por Deus é essencialmente bom, já que “a matéria-prima do mundo é boa; o próprio ser é bom”. Entretanto, essa luz pareceu obscurecer-se com o pecado e alcançou seu momento mais dramático na paixão de Cristo. Mas, na manhã da ressurreição, Deus pronuncia novamente a mesma palavra criadora: “Faça-se a luz!”. Agora, porém, essa luz não é apenas um elemento da criação, mas a própria pessoa de Cristo ressuscitado. N’Ele, afirma o Papa, “a vida é mais forte que a morte. O bem é mais forte que o mal. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é mais forte que a mentira”. A ressurreição inaugura, assim, um novo começo para toda a humanidade. Essa realidade não permanece distante, pois chega até nós através do Batismo. Nele, Deus repete sobre cada fiel o seu “fiat lux”, fazendo com que o “novo dia, o dia da vida indestrutível chega também a nós”. Por isso, a Igreja antiga chamava o Batismo de “photismos – iluminação”, pois introduz o cristão na verdadeira luz. Por fim, o Papa utiliza o símbolo do círio pascal para ilustrar o mistério de Cristo: “a vela ilumina, consumindo-se a si mesma; dá luz, dando-se a si mesma”. Trata-se de uma imagem do amor que se entrega totalmente. Assim, a luz de Cristo não é fria, mas uma chama que transforma e aquece, revelando “o calor e a bondade de Deus”. Dessa forma, a Páscoa não é apenas celebração, mas chamado: viver como filhos da luz, deixando que o esplendor de Cristo transforme a vida e ilumine o mundo.