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Lições de faraós aos gestores

O Diário - 2 de abril de 2026

Lições de faraós aos gestores

Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação, pela FGV

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No Egito Antigo, a figura do faraó transcende a imagem comum de poder absoluto para revelar um princípio mais profundo: o do governante como grande servidor. Longe de ser apenas um soberano autoritário, o faraó era compreendido como o responsável por manter a ordem cósmica, a deusa Ma’at, garantindo equilíbrio e justiça a todo o povo. Sua autoridade derivava, portanto, não do domínio, mas do compromisso com o bem coletivo. Essa visão, ainda que distante no tempo, oferece um paralelo extremamente atual com os desafios da gestão de equipes no ambiente corporativo.

O verdadeiro líder também não é aquele que apenas ordena, mas aquele que sustenta o ambiente para que todos possam desempenhar seu melhor papel. Assim como o faraó organizava o funcionamento de uma civilização complexa, o gestor moderno precisa coordenar talentos, alinhar objetivos e criar condições de crescimento coletivo. A liderança deixa de ser um exercício de imposição e passa a ser um exercício de responsabilidade.

A analogia se aprofunda quando compreendemos que, no Egito em seu ápice civilizacional, cada função tinha um sentido dentro de um todo maior. Igualmente, equipes bem estruturadas dependem da clareza de papéis, da integração entre setores e da consciência de propósito. O líder que atua como “grande servidor” compreende que seu sucesso está diretamente vinculado ao desenvolvimento e não à centralização de poder.

Nesse sentido, a gestão contemporânea deve reaprender com o simbolismo egípcio: liderar não é ocupar o topo, mas sustentar o todo. Em um ambiente corporativo cada vez mais automatizado, de processos impessoais e decisões com frieza dos dados, a verdadeira liderança se revela justamente naquilo que não pode ser automatizado: a capacidade de dar sentido, de ordenar o humano. O faraó não era grande por ser servido, mas sim por servir à ordem que o transcendia. O gestor deve ser, sobretudo, um grande servidor de sua egrégora.