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Do “galinheiro” à honra: 40 anos do 33º BPMI

O Diário - 31 de março de 2026

Do “galinheiro” à honra: 40 anos do 33º BPMI

Aparecido Cipriano

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Há exatos 40 anos, em 10 de abril de 1986, nascia, em Barretos, o 33º Batalhão de Polícia Militar do Interior. Não nasceu em berço de ouro, nem em instalações dignas de desfile. Pelo contrário, o cenário era uma antiga escola, já há algum tempo abandonada, marcada por uma infraestrutura precária. Mas, para o Policial Militar, dificuldade nunca foi obstáculo — é combustível. E foi assim que tudo começou - com luta, perseverança e, sobretudo, esperança.

Meses depois, em outubro daquele mesmo ano, iniciava-se a saga dos “865”. Eram 60 jovens sonhadores que ingressavam na EFSD, carregando consigo mais do que fardas novas — levavam sonhos, coragem e disposição. Não demorou para que entendessem que sua formação iria além das salas de aula. Em um período, alunos; no outro, pedreiros, pintores, serventes. Mãos que aprendiam a defender a sociedade também erguiam paredes, pintavam sonhos e reconstruíam dignidade.

E quem viveu aquele tempo guarda memórias que o tempo não apaga. Como a missa inaugural, celebrada pelo saudoso Padre Gay. Em meio às orações, tocado pela simplicidade — ou dureza — do local, ele não conteve as palavras e disse:

“Para que no futuro, os policiais tenham um lugar melhor que esse galinheiro, rezemos ao Senhor.”

A frase, meio dura, meio profética, ficou. E, de certo modo, tornou-se símbolo de tudo o que viria depois.

Os anos passaram. Dos 60 desbravadores, 58 se formaram. Cada um seguiu seu caminho. Alguns ficaram pelo trajeto. Outros tombaram no combate, cumprindo o juramento maior. Muitos cresceram, tornaram-se comandantes. Todos, sem exceção, escreveram suas histórias com honra — homens de respeito, hoje veteranos que carregam no peito o orgulho de terem feito parte do início.

E o Batalhão?

Ah, o Batalhão já não é mais aquele “galinheiro”. Transformou-se. Hoje é um espaço digno, acolhedor, estruturado — reflexo direto do esforço daqueles que um dia trocaram o descanso pelo trabalho duro, acreditando em algo maior. Um lugar onde novos policiais chegam, aprendem, brilham, sempre sob a orientação dos mais experientes.

Ali, mais do que paredes, construiu-se uma tradição.

Uma tradição de galhardia, disciplina e respeito à farda. Uma história que começou humilde, quase improvável, mas que, com o tempo, provou que grandes instituições não nascem prontas — são forjadas no sacrifício.

Quarenta anos depois, o 33º BPM/I não é apenas um batalhão. É memória viva. É legado. É prova de que, quando há compromisso, até um “galinheiro” pode se transformar em símbolo de honra.

Sargento Cipriano – Um sobrevivente da turma de 86