Quando o coração se abre para Deus
Diocese de Barretos - 10 de abril de 2026
Quando o coração se abre para Deus
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Por Pe. Pedro Lopes, Vigário Paroquial São Miguel Arcanjo, Miguelópolis-SP
Ao longo da vida, todos nós fazemos escolhas. Algumas nos aproximam de Deus, outras nos afastam. A fé cristã é, em grande parte, uma questão de abertura do coração: permitir ou não que Deus entre em nossa vida e transforme nossa história. No Evangelho de São João (Jo 10,31-42), vemos uma situação muito significativa. Algumas pessoas rejeitam Jesus e chegam até a querer apedrejá-lo. Outras, porém, escutam suas palavras, observam suas obras e começam a acreditar nele. Essa diferença de atitudes revela algo importante: diante de Deus, o coração humano pode reagir de maneiras muito diferentes. Há quem se feche, quem desconfie ou quem rejeite. Mas há também quem se deixe tocar e se abra à fé. Jesus não força ninguém a acreditar nele. Ele anuncia, ensina, realiza sinais e convida. A resposta depende sempre da liberdade de cada pessoa. Ao final do Evangelho, vemos que muitos começaram a crer em Jesus ao perceber suas obras e suas palavras. Aqueles que se abriram à sua presença descobriram algo novo e transformador. A Quaresma que passou foi um tempo que nos convidou a essa abertura interior. É um tempo de conversão, isto é, de mudança de direção. Não se trata apenas de fazer algumas práticas religiosas, mas de permitir que Deus transforme nossa vida. Converter-se significa deixar que Deus ilumine nossas atitudes, cure nossas feridas e renove nossas esperanças. Significa reconhecer que sempre podemos dar um passo a mais no caminho da fé. Às vezes pensamos que a conversão é algo extraordinário ou reservado apenas para algumas pessoas. Na verdade, ela acontece nas pequenas decisões do dia a dia: quando escolhemos perdoar, quando ajudamos alguém, quando buscamos viver com mais honestidade e quando nos aproximamos de Deus com humildade. A Páscoa que agora celebramos, é a grande celebração da vida nova que Cristo nos oferece. A Quaresma preparou justamente o nosso coração para esse encontro. Talvez a pergunta mais importante neste tempo seja esta: como está o nosso coração diante de Deus? Se o abrirmos com sinceridade, descobriremos que Deus nunca se cansa de nos acolher e de nos oferecer um novo começo.



