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Depressão em idosos

O Diário - 9 de abril de 2026

Depressão em idosos

Arthur Henrique dos Santos Vieira, estudante do 7º período do curso de Medicina da FACISB, orientado pela profª Melina Destri Garcia

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Um sofrimento silencioso e subdiagnosticado

O envelhecimento populacional tem crescido de forma significativa em todo o mundo, inclusive no Brasil. Atualmente, as pessoas idosas já representam cerca de 13% da população global. Nesse cenário, a depressão em idosos torna-se um importante problema de saúde pública, muitas vezes subdiagnosticado e confundido com aspectos considerados naturais do envelhecimento.

Ao contrário do que ocorre em adultos jovens, a depressão na população idosa pode apresentar manifestações atípicas. Nem sempre a tristeza intensa é o sintoma predominante. Frequentemente, os idosos apresentam queixas como fadiga, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, perda de memória e queixas físicas persistentes. Por isso, o quadro pode passar despercebido e até ser confundido com outras doenças.

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da depressão nessa fase da vida. Entre os principais estão o isolamento social, a perda de familiares e amigos, doenças crônicas, limitações funcionais e mudanças importantes no estilo de vida após a aposentadoria. São mudanças que impactam não apenas o corpo, mas também o emocional.

As consequências da depressão em idosos são relevantes, podendo levar à piora da qualidade de vida, maior risco de incapacidade funcional, aumento da utilização dos serviços de saúde e maior mortalidade. Trata-se, portanto, de uma condição que exige atenção e cuidado.

Diante disso, o reconhecimento precoce da doença é fundamental. A avaliação clínica deve considerar aspectos físicos, psicológicos e sociais do paciente, e instrumentos de rastreio, como a escala GDS, aplicada por médicos, podem auxiliar na identificação dos sintomas. O tratamento geralmente envolve abordagem multidisciplinar, incluindo psicoterapia, suporte social e, quando necessário, uso de antidepressivos prescritos por profissionais da saúde. Observar, escutar e acolher fazem a diferença.