Câncer de colo do útero: prevenção disponível e acesso desigual
O Diário - 11 de abril de 2026
Alice Koike Salomão, estudante do 1º período do curso de medicina da FACISB, orientada pela profª Fabiana Albani Zambuzi Roberto
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O câncer de colo do útero corresponde ao terceiro câncer mais incidente entre mulheres, conforme estimativa do INCA para o triênio 2026-2028, e é diretamente associado à infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Os principais sinais de alerta para a doença são sangramento fora do período menstrual, corrimento anormal, dor durante a relação sexual e dor pélvica persistente. No entanto, muitas mulheres desconhecem esses sintomas, o que favorece a realização de diagnósticos tardios e piores desfechos. Neste contexto, medidas preventivas - como uso de preservativos e a vacinação, e a realização de exames periódicos que possibilitem o diagnóstico precoce são essenciais para evitar e/ou aumentar as chances de cura destas pacientes.
A vacina para o HPV está disponível no SUS e é recomendada para meninos e meninas de 9 a 14 anos, além de grupos específicos, sendo mais eficaz antes do início da vida sexual. Apesar da meta atual de imunizar 90% das meninas antes dos 15 anos, no Brasil, a taxa de cobertura vacinal contra o HPV atinge cerca de 82% das meninas e 67% dos meninos nesta faixa etária, sendo que os principais desafios encontrados são a desinformação e as desigualdades socioeconômicas. Já o diagnóstico precoce pode ser realizado através do exame de Papanicolau, que permite identificar alterações celulares precoces e o teste molecular de HPV (DNA-HPV), que detecta o material genético do vírus e vem sendo implementado no SUS desde 2025.
Mesmo sendo um câncer que pode ser prevenido e detectado precocemente, o acesso limitado à educação, aos serviços de saúde e a condições adequadas de vida aumenta a suscetibilidade ao câncer de colo do útero e contribuem, tanto para a baixa cobertura vacinal quanto para a realização insuficiente de exames preventivos. Somam-se a isso fatores como medo do exame, tabus relacionados à sexualidade e dificuldades de transporte, que também dificultam a implementação das ações de prevenção.
Nesse cenário, é essencial fortalecer políticas de educação em saúde e ampliar o acesso à vacinação e à realização dos exames preventivos, bem como promover a desmistificação de medos e tabus, especialmente entre populações mais vulneráveis, a fim de tornar as medidas de prevenção cada vez mais eficiente e acessível a todos.



