Entendendo a Síndrome de Burnout
O Diário - 24 de abril de 2026
Mari Armani - Psicóloga especialista em Psicanálise - @mariarmani.psi
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“Sinto que caminho por um deserto: cada passo pesa como se carregasse o mundo inteiro, e ainda assim ninguém percebe que já não consigo respirar.”
Esse relato expressa a vivência de muitas pessoas com burnout, condição marcada por esgotamento físico, emocional e mental diante de demandas excessivas e pressão contínua, geralmente ligadas ao trabalho.
Mais do que cansaço, envolve um esvaziamento da energia psíquica e da capacidade de encontrar sentido no cotidiano. Sob a perspectiva psicanalítica, pode ser compreendido como resultado da internalização de exigências externas, levando o sujeito a negligenciar seus próprios limites e desejos. O que antes era escolha passa a ser obrigação, gerando desconexão de si e empobrecimento da vida psíquica, frequentemente acompanhado por culpa, fracasso e vazio.
Os sintomas surgem de forma gradual: fadiga persistente, irritabilidade, distanciamento afetivo, dificuldade de concentração, alterações no sono e no apetite, além de dores e cefaleias. Isolados, podem parecer comuns; juntos, tornam-se incapacitantes.
Estudos indicam que cerca de 30% dos trabalhadores apresentam sinais, podendo ultrapassar 50% em áreas como saúde, educação e tecnologia. Isso mostra que não é apenas um problema individual, mas também reflexo de uma cultura que valoriza a hiper produtividade e negligencia a saúde mental.
Muitas pessoas sofrem em silêncio, sem reconhecer que buscar ajuda é um ato de cuidado. A psicoterapia oferece um espaço para compreender o sofrimento e construir formas mais sustentáveis de viver.
Cuidar é essencial para a qualidade da vida. Ouvir o cansaço é o primeiro passo para interromper o esgotamento.




