Elipse
O Diário - 26 de abril de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Figura sintática
Em muitas situações de leitura, o leitor compreende plenamente uma frase mesmo quando algum termo não aparece de forma explícita, o que revela a eficiência dos mecanismos de economia da língua. Esse procedimento, conhecido como elipse, consiste na omissão de elementos facilmente recuperáveis pelo contexto, razão pela qual se classifica como figura sintática. Tal recurso evidencia duas perspectivas importantes: a capacidade de promover concisão sem prejuízo da clareza e o estímulo à participação ativa do leitor na construção do sentido.
A elipse promove economia linguística e coesão textual ao evitar repetições desnecessárias no enunciado. Em construções como “João gosta de literatura; Maria, de música” ou “Uns preferem silêncio, outros, agitação”, termos já mencionados são omitidos, mas permanecem plenamente compreensíveis. Ao eliminar o que é redundante, o texto ganha fluidez e mantém a progressão temática com maior leveza. Nesse sentido, a omissão não empobrece a expressão, mas a torna mais eficiente e organizada.
Além da economia, a elipse também dinamiza a leitura e envolve o leitor na interpretação. Ao ler enunciados como “Na sala, alguns atentos; outros, dispersos” ou “Na prova, uns confiantes; outros, inseguros”, o leitor precisa reconstruir mentalmente os elementos ausentes. Esse movimento interpretativo torna a leitura mais ativa e participativa, como se o sentido se completasse em parceria com quem lê. Portanto, a linguagem mostra que, em certos casos, dizer menos é uma forma eficaz de fazer compreender mais.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie




