O STF no centro do debate eleitoral
O Diário - 1 de maio de 2026
DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
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Não é de hoje que o STF encontra-se no centro do cenário político nacional, ocupando um espaço que não lhe compete, em grande medida como resultado da conduta de parte de seus membros.
A novidade é que, pela primeira vez na história da República, o STF estará no centro do debate eleitoral nas eleições gerais que se avizinham. Isso decorre, além do protagonismo político que o Tribunal avocou para si, da percepção disseminada na sociedade de que esse papel não cabe a uma Corte Constitucional, e, sobretudo, diante dos diversos abusos supostamente praticados por parte de seus ministros.
Candidatos alinhados ao bolsonarismo defendem abertamente a necessidade da formação de uma maioria expressiva no Senado para, assim, dar andamento a processos de impeachment contra ministros do STF, o que, diga-se de passagem, é totalmente legítimo e em linha com o texto expresso da Constituição.
Possivelmente o mais vocal crítico do STF atualmente seja o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que tem divulgado vídeos satíricos em suas redes sociais nos quais critica a conduta pouco republicana de alguns membros do Tribunal.
Até mesmo o PT, partido do presidente Lula, tão beneficiado pela relação simbiótica mantida com o STF, vem advogando a necessidade de um código de ética para os seus ministros.
A posição que o STF se encontrará nas próximas eleições é estranha a uma Corte Constitucional, que deve(ria) manter um papel discreto e contido em uma República, entretanto, é uma decorrência lógica da indevida posição em que se arvorou na vida política brasileira.
Espera-se que esse cenário produza um efeito depurador na atuação do Tribunal, e, após as eleições, o “gênio volte para a lâmpada”, inclusive com a responsabilização dos ministros que tenham, comprovadamente, agido ao arrepio da lei. O que se vê hoje é que o Tribunal precisa ser defendido, não de golpistas aloprados, mas sim de parte de seus membros, que estão corroendo por dentro a nossa indispensável Corte Constitucional.




