Amar quando é difícil: a Pequena Via nas relações humanas
Diocese de Barretos - 6 de maio de 2026
Amar quando é difícil: a Pequena Via nas relações humanas
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
A pequena via não é uma espiritualidade abstrata. Ela se vive no concreto, especialmente nas relações humanas. E foi exatamente nesse campo que Santa Teresinha do Menino Jesus deu um testemunho profundo, e que estamos aprofundando toda quarta-feira. Ela convivia com pessoas que nem sempre eram fáceis. No Carmelo, havia irmãs com temperamentos difíceis, hábitos incômodos e atitudes que a contrariavam. Em vez de evitar ou reclamar, Teresinha escolheu amar. Ela escreveu algo marcante: “Compreendi que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros.” Esse ensinamento é extremamente atual. Hoje, muitas relações são marcadas por impaciência, julgamentos rápidos e falta de perdão. Queremos conviver apenas com quem nos agrada. Mas o Evangelho nos chama a algo maior: amar de verdade. A pequena via nos ensina que o amor não depende do outro, mas da nossa decisão. Amar não é sentir simpatia, mas escolher fazer o bem. Teresinha fazia isso em pequenos gestos: um sorriso, uma palavra gentil, um serviço silencioso. Muitas vezes, sem que ninguém percebesse. Ela também lutava interiormente. Não era fácil. Mas oferecia esse esforço a Deus. Na vida familiar, isso é essencial. Quantas vezes surgem conflitos, mágoas, impaciência? A pequena via nos convida a transformar esses momentos em oportunidades de amor. Na pastoral e na comunidade, também. Nem sempre é fácil trabalhar com pessoas diferentes. Mas é aí que a santidade acontece. Amar quando é fácil não tem grande mérito. Amar quando é difícil, sim. E isso só é possível quando estamos enraizados em Deus. Porque, humanamente, há limites. Mas a graça de Deus nos sustenta. Teresinha não buscava reconhecimento. Seu amor era escondido. E é exatamente isso que dá valor. Mas existe um momento em que esse amor é ainda mais desafiador: quando não sentimos a presença de Deus. No próximo artigo, vamos mergulhar em uma das experiências mais profundas de Teresinha: a fé vivida na escuridão. (Continua na coluna de quarta-feira)




