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“Se ele bateu em uma, bate em outra”, alerta juiz sobre violência doméstica 

Sandra Moreno - 2 de maio de 2026

“Se ele bateu em uma, bate em outra”, alerta juiz sobre violência doméstica 

DIREITO: Dr. Luiz Fernando durante entrevista no fórum de Barretos

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O diretor do fórum de Barretos, Luiz Fernando Silva Oliveira, manifestou preocupação com o aumento da violência contra a mulher. Ao comentar o caso de Deise Batista, de 33 anos — que morreu no dia 21 de abril após ter 92% do corpo queimado pelo agressor —, o magistrado reforçou que a resposta do Estado é repressiva e ocorre apenas após o crime, tornando a prevenção uma ferramenta vital. “A primeira coisa aqui é que eu me solidarizo com os familiares da Deise, que perdeu a sua vida. Em nome da Deise, eu me solidarizo com todas as mulheres de Barretos, vítimas de violência doméstica”, disse.

Para o juiz, o feminicídio é o estágio final de relacionamentos que dão sinais de toxicidade desde o início. “A violência doméstica é um fenômeno criminológico que precisa de um olhar com amplitude, não apenas quando o fato acontece. Muitas vezes, a mulher se encanta com aquele rapaz e vê nele um príncipe encantado, mas nem sempre a situação sai do jeito que ela gostaria”, afirmou. O magistrado destacou que comportamentos sociais e responsabilidades mal resolvidas servem como alerta. Entre os fatores de risco, citou homens que não cumprem o papel de pai em relacionamentos anteriores ou que apresentam problemas com álcool.

“A mulher que vai se relacionar com um rapaz que tem ex-mulher e filhos precisa saber que ele tem responsabilidades anteriores. Se ele se comporta como ‘ex-pai’, já é uma demonstração de que o relacionamento poderá ser tóxico”, explicou Luiz Fernando. A principal orientação do diretor do fórum para as mulheres é a checagem do passado criminal antes do aprofundamento da relação. O magistrado sugere que as mulheres pesquisem o CPF dos parceiros no site do Tribunal de Justiça ou busquem informações no próprio Fórum. “Se ele tiver respondido a crime de violência doméstica, ele não serve para você. Se ele bateu em uma, bate em outra. O dia que o agressor ficar sozinho, ele não vai agredir mais ninguém”. 

Embora tenha elogiado a atuação das polícias Militar e Civil e garantido que o Judiciário aplica a lei com rigor, o juiz Luiz Fernando ressaltou que a condenação criminal, isoladamente, não apaga a tragédia. “A condenação de um feminicida é uma necessidade social, mas ela não ressuscita a mulher, não ressuscita a mãe que deixou os filhos órfãos. O tapa e o chute que a mulher tomou em casa, a condenação não desfaz esses traumas”, explicou.

E orientou: “quero me dirigir especialmente à sociedade barretense, aos pais e mães, mulheres, jovens, adultas, idosas, o trabalho preventivo precisa ser feito. O meu pedido às mulheres de Barretos é que se afastem de quem tem histórico de violência”, finalizou.

CRIME

Deise Batista morreu após três dias de internação devido a graves queimaduras em 92% em seu corpo. Tinha duas filhas, de 10 e 12 anos.  O acusado do crime, Lucas Antônio Bernardino, de 38 anos, foi preso e responderá por feminicídio.