A democracia acima de tudo, o voto acima de todos
O Diário - 6 de maio de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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E se depois do desgaste com o Senado Federal, Lula não concorrer em 26? Esta pergunta atormenta os bastidores da política. Lula poderia, com a máquina federal nas mãos, virar a mesa da política, virar cabo eleitoral de luxo e montar uma chapa competitiva com Geraldo Alckmin (PSB) candidato a presidente; e, Kassab (PSD), candidato a vice-presidente.
O cavalo de pau não só tiraria o próprio Lula do alvo como traria um fato tão novo e impactante para o cenário eleitoral como a facada que elegeu Jair Bolsonaro em 2018.
“Ah, mas Alckmin – picolé de chuchu – já perdeu eleições para a presidência”, diriam os ideológicos perdidos! “Mas, venceu outras tantas e nunca concorreu com a máquina federal a favor”, diriam os pragmáticos! Alckmin percorreu todos os cargos da República tendo sido vereador e prefeito em Pindamonhangaba nos final dos anos 70; deputado estadual (82) e deputado federal (86 e 90). Ocupou o governo de São Paulo por quase 16 anos, é vice-presidente e foi ministro de Estado, dialogando com a indústria, o comércio e, pasmem, com o agronegócio. Só não foi senador... Ainda!
Já Kassab não é Lula, mas é governo! Pode não aceitar ser vice de chapa com o PT, mas, pode ocupar a vice de Alckmin a quem admira? Mataria dois coelhos numa só cajadada: aniquilaria a terceira via com Caiado e assumiria ele mesmo o protagonismo federal. O pedessista foi deputado federal (99), secretário municipal e estadual, além de vice-prefeito e prefeito de São Paulo. Foi ministro de Estado de Dilma e Temer e tem três ministérios no atual mandato, somados a mais de 900 prefeituras país a fora.
Se isto não é a vitória do pragmatismo político, vitória de quem seria então? Uma “chave de urna eleitoral” destas deixaria a família Bolsonaro gritando sozinha nos debates e nas redes sociais, traria junto (ou neutralizaria!) ao menos quase todo o centrão que engole a seco qualquer dos lados meramente ideológicos e poderia dar ao Brasil o recado de que a democracia está acima de tudo e o voto acima de todos.




