Esqueci minha senha
Os excessos e a simplicidade

O Diário - 7 de maio de 2026

Os excessos e a simplicidade

Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação

Compartilhar


Há um cansaço que não vem do corpo, mas do excesso: oriundo de informação e urgência. Vivemos cercados por estruturas sofisticadas, sistemas inteligentes, discursos elaborados, e, ainda assim, não é incomum um sentimento recorrente de vazio, que nenhuma complexidade consegue suprir. A alma humana não se alimenta de grandezas artificiais, mas de pequenas verdades silenciosas.

As coisas simples não fazem barulho. Não disputam atenção, não se impõem, não exigem espetáculo. Um gesto de cuidado, uma conversa sem pressa, a luz que atravessa a janela no início do dia, o hábito discreto de cumprir o próprio dever. Há uma ordem delicada nessas experiências que passa despercebida por quem vive correndo atrás do “extraordinário”. E, no entanto, é justamente aí que a vida acontece de forma mais íntegra e bela.

O mundo se tornou complexo porque desaprendeu a valorizar o essencial. Multiplicamos meios e esquecemos os fins. Criamos caminhos cada vez mais elaborados para chegar a lugares que já estavam próximos. O simples não é pobre, ele é fundamental. É nele que o homem encontra estabilidade, direção e, sobretudo, medida.

Existe uma beleza discreta no que é simples, uma espécie de elegância sutil que não depende de reconhecimento. O simples é verdadeiro porque não precisa se justificar. Ele apenas é. E, talvez por isso, seja tão difícil de perceber em um tempo que exige explicações para tudo e valoriza o excesso como sinal de importância.

Retomar o valor das coisas simples não é regredir, mas amadurecer. É compreender que nem tudo precisa ser ampliado, acelerado ou sofisticado. É aprender a permanecer, observar, dar sentido ao que está próximo. Porque, no fim, a vida não se constrói nos grandes momentos que raramente acontecem, mas nos pequenos gestos que, repetidos com consciência, sustentam tudo o que realmente importa. Uma vida que dignifica a simplicidade da sua recorrência é uma vida bem vivida.

Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação