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Contemplar o novo em mim

Diocese de Barretos - 16 de maio de 2026

Contemplar o novo em mim

Contemplar o novo em mim

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP

Existe um momento na vida espiritual em que percebemos que Deus não apenas nos consola… Ele nos transforma. A experiência cristã não é estática, mas dinâmica, viva, renovadora. Contemplar o novo em nós é reconhecer que Deus está continuamente fazendo algo novo no interior do nosso coração. A canção “Fonte de Todo Amor”, da Comunidade Católica Shalom, nos conduz exatamente a essa experiência: voltar à fonte, ao amor que não se esgota, ao encontro que recria. Deus não nos ama apenas como somos, Ele nos ama ao ponto de nos fazer ser o que ele sonhou. Contemplar o novo em mim começa com uma decisão: parar de olhar apenas para aquilo que ainda não mudou e começar a reconhecer aquilo que Deus já iniciou. Muitas vezes nos fixamos em nossas limitações, quedas e fraquezas. Mas Deus olha para nós com esperança, enxergando aquilo que podemos nos tornar pela graça. A vida espiritual amadurece quando passamos da autocobrança para a confiança. Deus não trabalha com pressa, mas com profundidade. Ele não reforma superficialmente, Ele transforma desde dentro. E essa transformação é, muitas vezes, silenciosa. A música nos lembra que Deus é fonte. E fonte não seca. Fonte jorra continuamente. Isso significa que não importa quantas vezes nos sentimos vazios ou desanimados, sempre podemos voltar. Sempre podemos recomeçar. Sempre existe graça disponível. Contemplar o novo é aprender a perceber os sinais de Deus nas pequenas mudanças: uma paciência que antes não existia, uma vontade maior de rezar, um coração mais sensível ao próximo, um desejo sincero de recomeçar após a queda. Esses são sinais do novo de Deus. O problema é que, muitas vezes, queremos mudanças rápidas e visíveis. Queremos sentir tudo imediatamente. Mas Deus age no tempo certo. O crescimento espiritual é como uma semente: acontece no escondido antes de aparecer no visível. Por isso, contemplar o novo em mim exige silêncio interior. É no recolhimento que começamos a perceber a ação de Deus. Quem vive agitado demais não consegue reconhecer o que Deus está fazendo. Além disso, é preciso humildade. Porque o novo de Deus não vem do nosso esforço apenas, mas da nossa abertura. Não se trata de “me melhorar sozinho”, mas de permitir que Deus me transforme. Outro ponto essencial é a perseverança. Nem sempre vamos sentir esse novo. Haverá dias de aridez, de cansaço, de dúvida. Mas isso não significa que Deus parou de agir. Pelo contrário, muitas vezes Ele está trabalhando ainda mais profundamente. Contemplar o novo em mim é também um ato de fé. É acreditar que Deus está operando mesmo quando não vejo resultados claros. É confiar que aquilo que Ele começou, Ele levará à plenitude. No fundo, essa contemplação nos leva a uma grande verdade: não somos mais os mesmos. Mesmo que ainda haja muito caminho pela frente, Deus já começou sua obra em nós. E essa obra tem uma fonte: o amor. Um amor que não desiste. Um amor que não se cansa. Um amor que sempre recomeça. Por isso, hoje, não olhe apenas para o que falta. Olhe para o que Deus já está fazendo. E contemple… o novo que já começou em você.