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O Varzeano de Barretos – um ano depois, o silêncio continua

O Diário - 8 de maio de 2026

O Varzeano de Barretos – um ano depois, o silêncio continua

Aparecido Cipriano (Licenciado em Educação Física – UnB - e um amante do futebol amador barretense)

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Há exato um ano, escrevi que o futebol varzeano de Barretos estava na UTI. Hoje, infelizmente, não há melhora no quadro — talvez o diagnóstico tenha até se agravado. O que antes era um símbolo da identidade popular barretense, hoje se resume a um campeonato curto, esvaziado e distante da essência que o consagrou.

Já tivemos um calendário que começava em março e só terminava em novembro. Eram mais de 30 times, milhares de envolvidos, campos cheios, famílias presentes e bairros inteiros representados dentro das quatro linhas. Não era apenas futebol. Era pertencimento, era cultura, era comunidade viva.

Hoje, o campeonato dura de agosto a novembro. Encolheu no tempo e no espírito. Tornou-se elitizado, afastando justamente aqueles que sustentaram sua história: os times de bairro, de raiz, que jogavam por amor e não por estrutura. Esses, agora, são empurrados para divisões inferiores, muitas vezes apenas para cumprir tabela.

O mais preocupante é que estamos falando de um esporte que ainda recebe investimento público. O mesmo recurso que antes sustentava meses de competição, hoje parece insuficiente para manter um calendário digno. A pergunta que fica é inevitável - o que mudou — a gestão ou a prioridade?

O futebol amador não pode ser tratado como sobra. Ele é base, é inclusão, é oportunidade. É onde muitos começam e onde muitos permanecem por paixão. Ignorar isso é desvalorizar a própria história esportiva da cidade.

Barretos precisa decidir se quer manter viva essa tradição ou assistir, passivamente, ao seu desaparecimento. Ainda há campos, ainda há jogadores, ainda há paixão. O que falta, talvez, seja vontade.

O varzeano continua na UTI, parece que vão desligar os aparelhos ... É hora de acordar, ele não pode morrer.