As urnas eletrônicas não mentem, jamais
O Diário - 13 de maio de 2026
Danilo Nunes, pós-doutor em Direito pela FDRP/USP, advogado e membro da ABC
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Em 2026, as eleições brasileiras com votação por meio de urnas eletrônicas completam trinta anos.
Nasceu em São José dos Campos a solução para banir de vez a contagem manual de votos que se arrastava por horas e noites seguida de acalorados questionamentos.
Conhecida por ser polo tecnológico, a região deu origem ao embrião dessas máquinas que já estão em todas as cidades do país.
Invento "mande in" do qual brasileiros e brasileiras devem ser orgulhar, as urnas eletrônicas serviram para eleger gente de todos os espectros políticos, mas foi só em 2014 que o presidenciável derrotado Aécio Neves começou a descredibilizar o equipamento e a votação. Lembrando que, as mesmas urnas, serviram para elegê-lo deputado federal, governador de Minas Gerais por dois mandatos (2002 e 2006) e senador (2011).
Depois dele, toda a família de Jair Bolsonaro não só atacou como conspirou contra o mecanismo tecnicamente aprimorado pelo TSE a cada eleição.
Uma horda de gente desinformada e desinformante foi às redes sociais pedindo "voto impresso", coisa gente atrasada, paranóica e equivocada.
Como pode alguém questionar um mecanismo que serviu para elegê-lo e também eleger a seus filhos por mais de uma vez? O grande problema do Brasil é a hipocrisia. A "boa coisa" só serve se for "boa para os meus e para mim", nunca para os outros lados.
Neste quesito, o PT e Lula sempre se saíram menos pior. Todas as vezes em que foram derrotados (89 e 94 com voto impresso, inclusive) foram pra casa lamber feridas e se preparar para a próxima eleição.
É preciso colocar as pessoas diante de suas contradições não só para mostrar o quanto é preciso evoluir, mas para que a contradição não vença a razão.
Na histórica gravura "A verdade saindo do poço" do francês Jean-Léon Gérôme, baseada em uma parábola que retrata a verdade nua e furiosa, saindo de um poço após ter suas roupas levadas pela mentira, tem-se a materialização da dificuldade da aceitação da verdade "nua e crua" pelas pessoas e pela sociedade.
Gostem ou não, as urnas eletrônicas são uma conquista da civilidade e um bem indispensável à democracia, até que se prove o contrário.




