Onde nascem os cowboys
O Diário - 15 de maio de 2026
Marcelo Murta
Compartilhar
Grilos falantes interrompem o silêncio da madrugada. A mata espreguiça e exala um perfume silvestre marcante. Os raios de sol lambem os degraus da varanda. Pintam de dourado as escadarias de madeira velha. Caminhou passando pela noite escura da alma. Abriu a janela. Raios crispam o céu. Acendem a linha do horizonte. O amanhecer pode ter várias versões de um mesmo fato. O quintal se encolhe veloz com o passar das horas. A arquitetura da realidade brota da imaginação. Palavras tem poder se seguidas de ações. Ele jurou que ganharia “o Barretos”. Ganhou. Com o dinheiro de campeão investiu num pedacinho de terra. Plantou boi na invernada. Cultivou alqueires de arroba. Ficou famoso também na América do Norte. Ganhou títulos na PBR. Famoso, deu autógrafos para uma legião de fãs. Se apaixonou pela competidora dos três tambores cabelos cor de milho. Esbarrado na precisão da paixão, casou em Las Vegas. Durante as finais da National Finals Rodeo. Lá é rápido e prático. Vendeu a fazenda no Brasil e comprou um Rancho no Texas. Um estado que se fosse um país, seria a oitava maior economia do mundo. Tem domínio fluente do idioma do Tio Sam. Virou um autêntico cowboy, no país que criou esta figura lendária. Sonhou com este estilo de vida. Laçou esta ideia com a alma. Chegou a espora no propósito. Visualizou seu destino desde criança. Aposentado, usufrui o resultado de suas conquistas. Ligou a caminhonete e partiu. Em Nebraska pegou a estrada transcontinental Lincoln. Rumo a Califórnia. Foi conhecer o mar pela primeira vez. Será que lá tem rodeio em Cavalo Marinho? Ou seria mais uma piada do seu neto mais novo. Abraços Cavalares.




