A quem pertence a glória?
O Diário - 16 de maio de 2026
Aparecido Cipriano – apenas um Cristão
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2026 – Ano de reflexão. Em tempos de vozes altas e certezas fáceis, cresce um fenômeno silencioso, a elevação de líderes políticos e religiosos a patamares que não lhes pertencem.
Tais líderes e tantos outros guias espirituais passam, por vezes, a ocupar um lugar que deveria ser reservado apenas ao Divino, não por má intenção, mas por uma devoção mal compreendida.
A tradição cristã, em suas diversas expressões, é clara ao distinguir veneração de adoração. Respeitar, ouvir e reconhecer a missão de um líder é saudável e necessário.
No entanto, transformar essa admiração em dependência absoluta é um caminho perigoso.
Quando o homem passa a ser visto como infalível, a fé começa a perder seu verdadeiro eixo. A crença cega, ainda que disfarçada de zelo, desloca o olhar do essencial para o acessório. E o que deveria ser ponte para o sagrado torna-se obstáculo.
Líderes, sejam eles de qualquer natureza, são humanos. Carregam virtudes, mas também fragilidades. Precisam de oração, apoio e compreensão — não de exaltação cega. A história mostra que essa supervalorização pode abrir espaço para abusos. Quando não se questiona, quando não se reflete, a confiança e a fé correm o risco de se tornarem submissão. E onde há submissão sem consciência, há terreno fértil para manipulação.
A verdadeira liderança não busca aplausos, mas serviço. Não exige devoção, mas aponta caminhos. Não retém a glória, mas a devolve àquele a quem ela pertence. Aos Líderes cabe respeito, escuta e reconhecimento pelo serviço prestado. A Deus, porém, pertence a adoração. No fim, a pergunta permanece simples, mas necessária - a quem pertence a glória? Se a resposta não for clara, talvez seja hora de realinhar o coração.
Em suma- Adoração somente a Deus, Veneração aos santos (como exemplo de vida), Líderes merecem respeito, não veneração nem adoração. Devemos reconhecer o valor das pessoas sem jamais substituir o lugar que pertence exclusivamente a Deus.




