Fobias: medo que aprisiona
O Diário - 21 de maio de 2026
Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise. Instagram: @mariarmani.psi
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Um elevador pode parecer banal, mas, para quem vive uma fobia, ele desencadeia reações intensas: coração acelerado, falta de ar e necessidade urgente de fuga. Mais do que “medo exagerado”, a fobia é um fenômeno psíquico complexo, no qual a angústia se fixa em um objeto, situação ou circunstância específica.
Do ponto de vista clínico, integra os transtornos de ansiedade e se caracteriza por medo persistente e desproporcional, mesmo quando o perigo é mínimo ou inexistente. Os sintomas físicos e emocionais podem levar a pessoa a reorganizar sua vida para evitar o que teme, restringindo experiências e relações.
Na psicanálise, a fobia é compreendida como uma tentativa do psiquismo de dar forma a uma angústia difusa. O objeto temido funciona como suporte simbólico de conflitos mais profundos, ligados à história emocional do indivíduo. Assim, o sintoma não é isolado, mas carregado de significado.
Fatores contemporâneos, como pressão por desempenho e hiperconectividade, contribuem para o aumento dos quadros de ansiedade. Diante disso, reduzir a fobia a um medo irracional é simplificar um fenômeno mais amplo.
A psicoterapia surge como caminho fundamental, não apenas para aliviar sintomas, mas para compreender suas origens e ressignificar experiências. Ao elaborar a angústia, é possível recuperar autonomia e viver com menos medo.
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