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Polilaminina: por que essa substância tem chamado atenção? 

O Diário - 24 de maio de 2026

Polilaminina: por que essa substância tem chamado atenção? 

Maria Eduarda Calegari Nonato, estudante do 1º período do curso de medicina da FACISB, orientada pela profª Adriana Paula Sanchez Schiaveto

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Nos últimos meses, a polilaminina passou a ser assunto frequente nas redes sociais devido às expectativas em torno de seu uso no tratamento de lesões na medula espinhal, auxiliando na recuperação de conexões nervosas danificadas. A substância vem sendo estudada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mas afinal, o que é a polilaminina? É uma substância produzida a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no corpo humano. Essa proteína faz parte de uma espécie de “estrutura de sustentação” dos tecidos, ajudando as células a se organizarem e se fixarem no lugar certo. Ela é encontrada em diversos órgãos e tem papel importante no crescimento e na orientação dos neurônios. Os axônios, prolongamentos dos neurônios, normalmente crescem apoiados sobre a laminina, que funciona como um “guia natural” para os mesmos.

Após uma lesão na medula espinhal, axônios podem ser rompidos. A geração de inflamação e cicatrizes normalmente presentes após uma lesão cria um ambiente desfavorável, dificultando ou impedindo a regeneração das conexões. Como a medula espinhal atua como uma via de comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, quando ocorre uma lesão na medula, como consequência, a pessoa pode apresentar perda de movimentos e/ou de sensibilidade.

A polilaminina, estudada pelos pesquisadores, busca recriar um ambiente favorável para o crescimento dos neurônios após uma lesão, funcionando como um “andaime biológico” e oferecendo suporte para que os axônios possam crescer novamente e atravessar áreas lesionadas, permitindo novamente a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo e a possibilidade de recuperar movimentos e sensibilidade.

Os resultados observados até agora, apesar de bastante promissores, são experimentais. Ainda são necessários mais testes para comprovar sua eficácia e segurança em humanos. Entretanto, mostram o quanto a ciência tem potencial para transformar realidades que antes pareciam definitivas.