Sarau no Museu: terceira edição
O Diário - 26 de maio de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e ocupante da cadeira 7 da ABC
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Casa cheia, foi assim que Barretos respondeu à terceira edição do Sarau no Museu.
O salão do Museu Ruy Menezes estava tomado por um público apreciador de cultura. Interessante pensar que, no início do século XX, aquele salão durante o dia era ocupado por mesas e cadeiras da prefeitura, porém, à noite, em ocasiões solenes, também era tomado pela elite da cidade que ali realizava bailes e dançava sobre seu piso amadeirado. Aquele chão sempre gostou de cultura, impressionante.
Nesta edição foi lançado o livro “Pequenas Tentações: Cidades, arquitetura e outros passeios” de Eduardo Andrade de Carvalho. Como um bom livro gera reflexões compartilhadas, foi aberta uma conversa entre o autor, o jornalista Matinas Suzuki Junior e a historiadora que assina essas linhas. Na plateia estavam representantes da política, de instituições, da imprensa, da arquitetura e da comunidade. Foram lançadas ideias sobre o quanto as cidades têm ganhado muros e prédios disfuncionais e perdido calçadas, convívio e diversidade. A história da cidade surgiu como tema, principalmente quanto à praça Francisco Barreto, lugar de encontros e decisões históricas. A defesa das árvores e a crítica quanto à diminuição das calçadas em favorecimento do alargamento de avenidas também foi elencada. Todos foram temas gerados pela pena do autor, que, embora tenha exemplificado essas transformações nas grandes metrópoles, também dialogou com as cidades interioranas, já que essa é uma realidade que já respinga em cidades como a nossa.
O prédio do Museu talvez tenha sido a estrela da noite, uma vez que despertou lembranças do convidado Matinas. O jornalista, dentre tantas histórias, revelou que ali era a antiga sede do Foto Cine Clube Bandeirante nos anos 1960 e fez um pedido público para que sejam encontradas edições de jornais do Museu retiradas de seu acervo. Como homenagem, foi declamado um texto que Matinas escreveu aos 17 anos, vencedor de um concurso da Delegacia de Ensino, publicado no jornal O Diário em 22/07/1972 (acervo do Museu). E assim findou mais uma edição do Sarau no Museu, mais do que um encontro de celebração da memória barretense, foi um caminho à intelectualidade e à cultura que a cidade merece.




