Assíndeto
O Diário - 26 de maio de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
Compartilhar
Figura sintática
Há frases que parecem avançar sem interrupções, como se cada ação empurrasse imediatamente a seguinte, criando uma sensação de rapidez e intensidade no discurso. Esse encadeamento direto das ideias pode ocorrer sem o uso explícito de conectivos, recurso conhecido como assíndeto. Aliás, essa figura sintática pode ser analisada levando-se em conta dois aspectos: a capacidade de dinamizar o discurso e o papel da supressão das conjunções na valorização rítmica e expressiva da linguagem.
O assíndeto contribui para tornar o discurso mais ágil e intenso ao eliminar conectivos entre termos ou orações coordenadas. Em sequências como “Cheguei, vi, venci” ou “Falou, ergueu-se, saiu”, as ações surgem encadeadas de maneira rápida, sem pausas intermediadas por conjunções. Esse procedimento sintático demonstra que a omissão de determinados elementos pode acelerar o ritmo da leitura e conferir maior energia à progressão das ideias no enunciado.
Além da agilidade discursiva, o assíndeto também amplia a expressividade da linguagem ao modificar a cadência natural da frase. Em estruturas como “Corre, luta, vence” ou “Cai, levanta, prossegue”, a ausência de conectivos produz um efeito de continuidade e tensão que intensifica a percepção do leitor. A língua revela, assim, que certas pausas podem ser substituídas pela força da própria sequência verbal, como se as palavras avançassem em fila contínua para manter o sentido em movimento.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie




