Campanha Maio Verde destaca conscientização sobre o Glaucoma
O Diário - 31 de maio de 2026
SAÚDE: A oftalmologista dra. Daniela Monteiro de Barros, especialista em glaucoma pelo Wills Eye Hospital, nos Estados Unidos, é orientadora da liga acadêmica de oftalmologia da FACISB - Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos
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Doença é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo
O mês de maio é marcado pela campanha Maio Verde, dedicada à conscientização sobre o glaucoma, uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Para falar sobre a doença, seus avanços no tratamento e a importância do diagnóstico precoce, a reportagem conversou com a Dra. Daniela Monteiro de Barros, oftalmologista especialista em glaucoma pelo renomado Wills Eye Hospital, nos Estados Unidos.
O DIÁRIO: O glaucoma ainda é uma doença muito prevalente? Qual é o seu impacto no mundo e no Brasil?
DRA. DANIELA: O glaucoma é uma realidade alarmante em escala global. Estima-se que cerca de 80 milhões de pessoas no mundo vivam com a doença, e esse número deve ultrapassar 111 milhões até 2040. No Brasil, mais de 3 milhões de brasileiros são portadores, mas aproximadamente metade desconhece o diagnóstico. O glaucoma avança silenciosamente, sem dor e sem sintomas perceptíveis nos estágios iniciais, tornando o rastreamento e o diagnóstico precoce essenciais para preservar a visão.
O DIÁRIO: Como o glaucoma compromete a visão e por que ele é tão temido?
DRA. DANIELA: O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva que causa dano irreversível ao nervo óptico. O problema é que, quando o paciente percebe perda de visão, a destruição das fibras nervosas já é significativa. Quando o dano é percebido, ele já é permanente. A boa notícia é que, com tratamento adequado e contínuo, é possível estabilizar a doença e preservar a visão por toda a vida.
O DIÁRIO: Quais são as opções de tratamento mais inovadoras disponíveis hoje?
DRA. DANIELA: O tratamento do glaucoma evoluiu enormemente. O laser SLT — Trabeculoplastia Seletiva a Laser — é um procedimento seguro, indolor e realizado em consultório, que melhora a drenagem do humor aquoso. O Estudo LiGHT, publicado na revista The Lancet, demonstrou que o SLT pode ser utilizado como primeira linha de tratamento, antes mesmo dos colírios. Dados recentes da Academia Americana de Oftalmologia de 2024 reforçaram esse achado: pacientes tratados com laser tiveram progressão da doença 29% mais lenta do que os tratados apenas com colírios.
O DIÁRIO: O que é o laser Slow Burn e qual a sua importância?
DRA. DANIELA: O Slow Burn é uma modalidade de laser inovadora com alta eficácia e excelente perfil de segurança. Destaca-se por ser eficaz nos mais variados tipos de glaucoma - do ângulo aberto aos casos refratários que não responderam a outras abordagens. É uma ferramenta cada vez mais presente na prática clínica e tem ampliado consideravelmente as opções terapêuticas disponíveis para os pacientes.
O DIÁRIO: E as cirurgias? Existe algo menos invasivo?
DRA. DANIELA: Sim. As MIGS — Cirurgias Minimamente Invasivas para Glaucoma - representam uma revolução no tratamento cirúrgico. São procedimentos com microimplantes que melhoram o escoamento do líquido ocular, com menor trauma e recuperação mais rápida. São indicadas para glaucoma leve a moderado e podem ser realizadas junto à cirurgia de catarata no mesmo ato operatório.
O DIÁRIO: Existe perspectiva de tratamento regenerativo, como células-tronco?
DRA. DANIELA: Essa é a fronteira mais emocionante da oftalmologia atual. O glaucoma destrói as células ganglionares da retina de forma irreversível - e é aí que a terapia com células-tronco surge como esperança real. Pesquisas investigam o transplante dessas células para regenerar o nervo óptico danificado, com resultados promissores em estudos de 2025. Ainda estamos em fases iniciais, mas a perspectiva de recuperar a visão perdida deixou de ser ficção científica para se tornar uma meta concreta da medicina.
O DIÁRIO: Qual é a mensagem para a população neste Maio Verde?
DRA. DANIELA: Não espere ter sintomas para buscar um oftalmologista. O glaucoma não dói, não avisa. A consulta regular - especialmente para pessoas com histórico familiar, maiores de 40 anos, diabéticos e hipertensos - é a única forma de detectar a doença precocemente. Hoje temos o laser SLT, o Slow Burn, as MIGS e um horizonte regenerativo com células-tronco. Nunca tivemos tantos recursos para proteger a visão. Mas tudo começa com a prevenção. Cuide dos seus olhos - eles são insubstituíveis.



