Ghosting: Silêncio que Fere
O Diário - 11 de junho de 2026
Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise - Instagram: @mariarmani.psi
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O ghosting, prática cada vez mais comum nas relações contemporâneas, ocorre quando alguém desaparece repentinamente de um vínculo sem explicações, despedidas ou qualquer forma de encerramento. Mais do que interromper uma conversa, esse comportamento rompe uma narrativa e deixa um vazio difícil de compreender.
Sob a ótica da psicanálise, o ser humano precisa construir sentidos para organizar suas experiências. Quando não há respostas, surgem dúvidas e tentativas de preencher as lacunas. É comum que a pessoa abandonada volte os questionamentos para si mesma, buscando explicações para o desaparecimento do outro.
O impacto do ghosting vai além da falta de explicação. A ruptura inesperada quebra a sensação de continuidade emocional e pode despertar lembranças de rejeições e abandonos vividos anteriormente. Por isso, a dor costuma ser mais intensa do que a provocada por um término claramente comunicado.
Sem um fechamento, muitas pessoas permanecem presas à expectativa de retorno, à ruminação e à dificuldade de encerrar mentalmente a relação. O que foi interrompido na prática continua ativo no mundo interno.
Em uma época marcada por conexões rápidas, o ghosting evidencia a dificuldade de sustentar diálogos difíceis. Ainda assim, deixa marcas duradouras, pois algumas ausências continuam presentes na memória.
Apesar do sofrimento, a experiência pode abrir espaço para o autoconhecimento. Em vez de buscar apenas os motivos do outro, refletir sobre o que o desaparecimento mobiliza internamente pode favorecer o amadurecimento emocional.



