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Assíndeto

O Diário - 13 de junho de 2026

Assíndeto

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

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Figura sintática

Nem sempre a força de uma mensagem depende da quantidade de palavras empregadas para ligá-las. Em algumas frases, as ideias se sucedem de forma direta e contínua, produzindo uma sensação de rapidez que prende a atenção do leitor desde as primeiras linhas. Esse efeito pode resultar do assíndeto, figura sintática caracterizada pela ausência de conectivos entre termos ou orações coordenadas. A partir dessa construção, dois aspectos textuais são dignos de nota: a dinamização do discurso e a concentração de sentidos em estruturas mais condensadas e impactantes.

 O assíndeto atua como recurso de aceleração do discurso ao eliminar conjunções que normalmente estabeleceriam a ligação entre os elementos do enunciado. Em sequências como “O vento zunia, as folhas caíam” ou “Abriu a porta, pegou as chaves, correu para o carro, deu a partida”, as ações surgem encadeadas de maneira imediata, sem interrupções provocadas por conectivos. Tal organização sintática imprime maior velocidade à leitura e demonstra que a fluidez textual pode ser alcançada também por aquilo que a linguagem opta por não expressar.

Além de conferir agilidade ao enunciado, o assíndeto concentra a expressividade da linguagem ao aproximar diretamente as ideias coordenadas. Em construções como “Pensou, decidiu, agiu” ou “Compre, use, comprove”, a justaposição dos elementos produz um efeito de intensidade que dispensa marcas explícitas de conexão. A língua revela, assim, que certas ausências não representam falta, mas escolha expressiva, como se o próprio silêncio das conjunções abrisse espaço para que as palavras avançassem com mais força e significado.

Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie