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Jan e Elsie Havlasa em Barretos

O Diário - 16 de junho de 2026

Jan e Elsie Havlasa em Barretos

KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e titular da cadeira 7 da ABC

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Era 1922, mês de fevereiro, provavelmente quente e chuvoso, quando a nossa Barretos recebeu uma interessante autoridade estrangeira: o ministro da Tchecoslováquia, Jan Klecanda Havlasa, que poderia apenas ser um diplomata, mas que se mostrou muito mais do que o cargo sugeria.

À época, a Tchecoslováquia era um país recente, criado em 1918 com a união entre checos e eslováquios. Jan Havlasa, portanto, era o primeiro representante diplomático da Tchecoslováquia no Brasil. Sediado no Rio de Janeiro, ele manteve esse cargo entre 1920 e 1924, visitando diversas cidades neste período. Ocorre, porém, que suas visitas não tinham apenas honras diplomáticas, ele fazia valer a sua formação intelectual: era um estudioso da fauna, da flora e do povo brasileiro. Por isso, tornava suas viagens verdadeiras expedições, registrando fotografias de paisagens brasileiras.

Jan Havlasa era casado com a americana Elsie Herman Havlasa, que também era pesquisadora, tradutora e fotógrafa. Juntos, eles participaram de expedições naturalistas pelo território de São Paulo, especialmente aquelas ligadas ao Museu Paulista. E foi por isso que ele chegou a Barretos. Aqui, ele foi recepcionado pelo prefeito, dr. Antonio Olympio Rodrigues Vieira, e pelo presidente do Grêmio Literário e Recreativo, dr. Valêncio de Barros. Havlasa e sua esposa foram conduzidos àquilo que mais lhes interessava: a Cachoeira do Maribondo (hoje, em Icém). Ali, fotografou a bela paisagem e afirmou que utilizaria os registros em um livro que escrevia sobre o Brasil. 

Sabe-se que o diplomata tcheco foi autor de várias obras sobre a natureza brasileira e os costumes de seu povo, especialmente a partir de 1925, quando deixou o Brasil. Nesse ano, publicou “Nas Montanhas Brasileiras” e, em 1938, “Por vales e montanhas”, publicações que possivelmente registram a nossa Barretos e suas paisagens.

Assim como Havlasa não era apenas um diplomata, mas um estudioso fascinado pelo Brasil, Barretos não era só uma pequena cidade paulista: era um reduto de riquezas naturais em meio ao imponente vale do Rio Grande. Havlasa e Elsie sabiam disso.