O sabiá fez ninho no meu chapéu
O Diário - 16 de junho de 2026
Marcelo Murta
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Cantavam. Não sei se Maritacas, Papagaios ou Tuins. Desacostumei desta cantoria. Também foram vinte e cinco anos de pauliceia desvairada no lombo. Estou de volta às minhas raízes. As tradições me acolhem. Pisei no quintal dos melhores momentos da infância. Um beija flor me dá boas vindas. Tirei o chapéu para um Sabiá fazer seu ninho. Meus amigos não estão mais no nosso bairro. Agora moram em municípios de nomes estranhos. Da janela da minha avenida da saudade vejo o mar verde dos campos. Inspiração para canções de aventuras sertanejas. Da zona sul sinto a energia eclesiástica de um Hospital do Amor. Oncológicos buscam esperança. Protegidos por anjos da saúde. O frigorifico lembra o Ciclo da Pecuária. A exposição de gado, meu Parque de diversões na infância. Depois vieram os festivais de pulos e tombos. Esporte preferido dos Peões de Comitiva. Heróis anônimos que desbravaram os estradões. Desafios de montaria de dia coroados por noites folclóricas. Visionários criaram a Festa do Peão em prol de entidades assistenciais. Aqui já foi sertão de Guimarães Rosa. Um milhão de madrugadas contam histórias seculares. A igreja acompanhou a odisseia. Santuário de pinturas renascentistas na nave central. Nossa Capela Sistina. O templo católico foi testemunha da luta de Chico Barreto, fundador de Barretos. O aposseante da fazenda Fortaleza foi ameaçado com armas em punho pelos Junqueiras para impedir que ele formasse o patrimônio do Divino. Nosso herói hoje contempla a Catedral sentado em um banco, imortalizado em escultura. Homenagem a este neófito pioneiro do arraial esquecido nos confins, hoje eternizado na Capital do Rodeio. Abraços Cavalares.



