A oração que transforma: de obrigação a encontro
Diocese de Barretos - 19 de junho de 2026
A oração que transforma: de obrigação a encontro
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
Depois de termos refletido sobre o silêncio de Deus, na coluna de quarta-feira, hoje damos o segundo passo no nosso itinerário espiritual: a oração. Se o silêncio purifica a fé, a oração amadurece a relação. Muitos cristãos rezam, mas poucos realmente encontram Deus na oração. Isso acontece porque, muitas vezes, a oração se torna apenas um hábito, uma obrigação ou um pedido constante de necessidades. Rezar acaba sendo, para muitos, um ato mecânico, repetido, mas sem profundidade. Mas oração é muito mais do que falar com Deus. Oração é encontro. É o lugar onde o coração humano encontra o coração de Deus. O Catecismo da Igreja nos recorda que a oração é a elevação da alma a Deus. Não é apenas uma prática religiosa; é um relacionamento vivo. Deus não quer apenas ouvir nossas palavras. Ele quer nosso coração. Jesus nos ensinou isso em sua própria vida. Antes das grandes decisões, Ele rezava. Antes dos milagres, recolhia-se. Nos momentos de dor, buscava o Pai. Sua vida inteira era marcada pela oração, porque sabia que toda fecundidade nasce da comunhão. Aqui está um grande ensinamento para nós: quem não reza, seca interiormente. Assim como o corpo precisa de alimento, a alma precisa de oração. Sem oração a fé enfraquece; a esperança se apaga; a caridade esfria; o discernimento se confunde. Mas existe algo importante: a oração verdadeira não acontece apenas quando sentimos vontade. A maturidade espiritual nos ensina que rezar é permanecer. Existem dias em que a oração será cheia de consolo, outros dias serão áridos. Mas ambos são valiosos. Porque oração não é buscar sentir algo. É buscar Alguém. Muitas pessoas abandonam a oração porque confundem ausência de emoção com ausência de Deus. Mas Deus não depende dos nossos sentimentos para estar presente. Na verdade, os momentos de aridez são os que mais fortalecem a fidelidade. A oração também é um combate. Santa Teresa de Jesus dizia que rezar é “tratar de amizade com quem sabemos que nos ama”. E toda amizade precisa de tempo, constância e verdade. Não existe vida espiritual profunda sem vida de oração profunda. Se queremos crescer em Deus, precisamos criar espaços de encontro: silenciar; escutar; permanecer; adorar; confiar. Talvez a pergunta mais importante hoje seja: Como está minha vida de oração? Tenho rezado por obrigação ou por amor? Tenho buscado respostas ou buscado a presença? Porque quando a oração deixa de ser apenas um dever e se torna encontro, tudo muda. O coração começa a ser transformado e é justamente aí que Deus começa a revelar aquilo que precisa ser curado. E este será o próximo passo do nosso caminho. (continua na coluna de terça-feira)



