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Amizades na vida adulta

O Diário - 20 de junho de 2026

Amizades na vida adulta

Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise. Instagram: @mariarmani.psi

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Com o passar dos anos, a rotina, o trabalho e as responsabilidades reduzem o espaço para encontros e convivência. Muitas amizades não terminam por conflitos, mas pela falta de tempo e de presença. Para a psicanálise, porém, os vínculos não se mantêm sozinhos: exigem investimento emocional e disposição para lidar com diferenças.

Segundo Sigmund Freud, as relações humanas são atravessadas por sentimentos ambivalentes. Comparações, divergências e desconfortos fazem parte da experiência de amizade e não significam seu fim. Já Donald Winnicott destaca que relações saudáveis dependem da capacidade de aceitar o outro como ele é, sem a expectativa de que satisfaça todas as nossas necessidades.

O desafio se intensifica em uma sociedade marcada pela rapidez e pela descartabilidade. O sociólogo Zygmunt Bauman definiu esse cenário como “modernidade líquida”, em que vínculos tendem a ser mais frágeis e facilmente substituídos. Conversas adiadas, encontros trocados por mensagens e contatos frequentes nas redes sociais nem sempre se traduzem em relações profundas.

Pesquisas apontam que a amizade tem papel importante na saúde mental. É por meio dela que muitas pessoas compartilham dificuldades, elaboram frustrações e encontram apoio emocional. A falta desses vínculos pode ampliar sentimentos de solidão, associados ao aumento de casos de ansiedade, depressão e até problemas físicos.

Na vida adulta, a amizade deixa de ser algo espontâneo e passa a ser uma escolha. Sustentar laços, mesmo diante de desencontros e mudanças, pode ser uma das formas mais importantes de cuidado com a saúde psíquica.