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Sarau no Museu: quarta edição

O Diário - 23 de junho de 2026

Sarau no Museu: quarta edição

KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e titular da cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani 

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Em mais um domingo de manhã o Museu Ruy Menezes recebeu o Sarau no Museu, dessa vez, em sua quarta edição. Com realização da Bravíssimo Cultura & Eventos, a apresentação contou com alunos de canto lírico do maestro Franco Piérre e com o pianista Gustavo Manfrim. A proposta dessa edição foi retomar os grandes saraus eruditos que aconteceram no passado de Barretos. Terra fértil para as artes e a cultura, Barretos sempre foi uma cidade de vocação à música erudita e ao canto lírico.

Os anos 1930, pesquisados pela historiadora que assina essas linhas, foram o primeiro momento histórico contado ao público. O palco do velho Grêmio Literário e Recreativo era o escolhido para as apresentações de música, dança e poesia dos barretenses que sabiam harmonizar música erudita e brasileira. O mesmo piano que tocava Moszkowski também apresentava o mineiro Fructuoso Viana com a “Dança dos Negros”. Saltando para a década de 1990, o público conheceu um novo momento da história cultural de Barretos com as noites líricas, a formação da Orquestra Sinfônica de Barretos e do Coral Jovem. Momento histórico que rendeu homenagem à sra. Rosa Maria de Ávila Rezeck, primeira-dama da época e cantora lírica, e à sra. Guta Bampa em nome de Janeth Bampa, pianista e diretora do Conservatório Carlos Gomes. 

A manhã lírica do Sarau no Museu contou com dez apresentações com obras de Händel, Vivaldi, Mozart, Pergolesi, Scarlatti, Martini e Offenbach, canções que atravessaram o tempo e complementaram a beleza dos salões do centenário prédio do museu. Depois de apreciar esse repertório, ao público foi apresentado algo inédito: uma cena lírica recitativa composta pelo próprio maestro Franco Piérre com melodia do pianista Gustavo Manfrim. Interpretada pelos cantores líricos Murilo Andrade Espanhol e Tathiana Rodrigues, a cena representava com muito humor o diálogo entre um padeiro e uma viúva, cujo cenário era a cidade de Barretos no início dos anos 1970. A cidade, em seus tempos idos, à época do Café Goiano, tornou-se cena lírica exatamente no palco que foi designado para guardar a sua história. Elementar.

Que venham as próximas edições, porque Barretos é pura fonte de inspiração.